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Ao abordar a "invenção" da África pelos navegadores e viajantes europeus, a historiadora Regina Claro (2012, p. 101) destaca que “monstros, terras inóspitas, seres humanos deformados, imoralidades, regiões e hábitos demoníacos continuariam a figurar nas descrições de viajantes, aventureiros e missionários nos séculos XV e XVI", Entretanto, essa representação europeia da África e o discurso elaborado acerca de seus povos sofreu algumas mudanças, especialmente a partir do século XV, quando dados obtidos entraram em conflito com as representações fantasiosas. Essas mudanças se devem:
ao desenvolvimento cartográfico, com a elaboração de mapas mais precisos visando a orientação das rotas de comércio.
aos intercâmbios culturais promovidos entre povos africanos e europeus, levando estes a rever suas percepções estereotipadas sobre aqueles.
ao desenvolvimento de teorias religiosas que “humanizaram" as práticas culturais ancestrais dos povos africanos aos olhos dos europeus.
ao processo de descolonização dos territórios africanos.