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Leia os textos a seguir.Texto I “Este é um livro sobre o...

Leia os textos a seguir.


Texto I


“Este é um livro sobre o Brasil, sobre um Brasil (...), mas, de um modo muito especial, é um livro sobre nós, dirigido a nós, os brasileiros que não se consideram índios. Pois com A queda do céu mudam-se o nível e os termos do diálogo pobre, esporádico e fortemente desigual entre os povos indígenas e a maioria não indígena de nosso país”.


(VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. O recado da mata. In: ALBERT, Bruce; KOPENAWA, David. A queda do céu: palavras de um xamã yanomami. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p.12).


Texto II


“Foi Omama que criou a terra e a floresta, o vento que agita suas folhas e os rios cuja água bebemos. Foi ele que nos deu a vida e nos fez muitos (...). Teria sido possível rejuvenescer continuamente e não morrer nunca. Era o que Omama desejava. No entanto, Yoasi, aproveitando-se da ausência do irmão, tratou de colocar na rede da mulher de Omama a casca de uma árvore de madeira fibrosa e mole, a que chamamos kotopori usihi (...). Imediatamente, os espíritos tucano começaram a entoar seus pungentes lamentos de luto. Omama ouvi-os e ficou furioso com o irmão. Mas era tarde demais, o mal estava feito. Yoasi tinha nos ensinado a morrer para sempre”.


(ALBERT, Bruce; KOPENAWA, David. A queda do céu: palavras de um xamã yanomami. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. pp.81-83).


Com base nas discussões do campo da historiografia indígena, é correto afirmar que os excertos evocam a


A

consideração dos modos de agência indígena na construção de suas relações com a sociedade brasileira.


B

busca por situar os povos indígenas em relação à história do Brasil, tendo em vista a construção de uma identidade brasileira.


C

necessidade do estabelecimento de um diálogo simétrico com as cosmologias indígenas, compreendendo-as em suas especificidades.


D

compreensão de que os povos indígenas são parte integrante da sociedade nacional, sendo necessário o reconhecimento de sua cidadania.


E

impossibilidade de estabelecimento de um diálogo horizontal entre indígenas e não indígenas no Brasil, em função das diferenças entre esses grupos.