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A análise a seguir é do historiador Ygor Cavalcante sobre as fugas de escravos no Amazonas na segunda metade do século XIX e permite abordar aspectos importantes sobre a presença negra na região.
“Um pouco mais da metade das fugas se originam em Manaus (52%). Outras cidades do interior da província também aparecem: lugares como Serpa, Silves, Tauapessassú, São José do Amatary e entre outras localidades do rio Madeira (especialmente ligadas à extração da seringa), respondem por grande parte das origens das fugas (28%) (...). Escravos e escravas, individual ou coletivamente, seguiram diversas direções pelo vale amazônico. Recuperando uma bela imagem proposta pelo historiador Flávio Gomes, a floresta tornou-se negra e as vilas e cidades da província também”.
(CAVALCANTE, Ygor Olinto Rocha. “Fugido, ainda que sem motivo: escravidão, liberdade e fugas escravas no Amazonas Imperial (c. 1850-c. 1888). In: MELO, Patrícia Alves (Org.). O fim do silêncio. Presença negra na Amazônia. Curitiba: Editora CRV, 2021. pp.46-47).
Considerando-se a análise do autor é correto afirmar que
a prática da escravidão na Província durante o século XIX esteve predominantemente vinculada às atividades extrativistas, sobretudo da seringa.
a resistência à escravidão neste período na região se deu mais por meio de ações individuais, como fugas, do que por via de rebeliões organizadas.
as fugas constituíram uma das formas de agência desenvolvidas pelos escravizados, contribuindo para que a presença negra se espraiasse por diferentes regiões da Província do Amazonas.
havia um grande contingente de escravizados na cidade de Manaus, indicando uma preponderância de africanos e afro-brasileiros atuando no contexto urbano em detrimento de atividades nas áreas rurais.
o numeroso contingente de escravizados atuando na Província do Amazonas no século XIX contribui para refutar a tese de que a presença africana foi pouco relevante para as atividades econômicas da região.