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“Salve o navegante negro, que tem por monumento as pedras pisadas no cais”. Assim diz o trecho da canção Mestre-sala dos mares, de João Bosco e Aldir Blanc, que evoca à memória um dos movimentos populares encetados pelos marinheiros contra os maus-tratos a que eram submetidos pela Marinha e que passou à História como Revolta da Chibata, ocorrida em 1910.
(Ricardo Oriá, Memória e ensino de História. Em: Circe Bittencourt (org.). O saber histórico na sala de aula)
A partir do excerto, é correto afirmar que
como os chamados grupos vencedores na História tentam impor a sua visão e a perpetuação de uma memória de dominação, os setores populares quase não são referência monumental no patrimônio histórico nacional.
a decisão sobre o que deve ou não ser preservado como memória nacional depende das referências oferecidas pelas principais universidades públicas brasileiras, particularmente nos departamentos de Antropologia e História.
os atuais tombamentos exclusivos de igrejas, sedes de fazendas e conjuntos arquitetônicos e urbanísticos homogêneos, entre outros bens, são necessários porque estes foram socialmente reconhecidos como monumentos históricos representativos da nação.
a memória nacional é resgatada de forma sistemática desde a construção do Estado brasileiro e todos os grupos sociais são objetos do mesmo cuidado e preservação, conforme se observa desde a primeira política de defesa do patrimônio.
o conceito de patrimônio histórico objetiva preservar, essencialmente, personagens, objetos e espaços diretamente relacionados com os mais importantes eventos da história nacional, caso, por exemplo, da Proclamação da República.