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O movimento abolicionista se estendeu até 1888, liderado por Joaquim Nabuco, Tavares Bastos e José do Patrocínio, e organizado pela Sociedade Brasileira contra a Escravidão. [...] Como afirmou Nabuco em O abolicionismo: “Não é aos escravos que falamos, é aos livres”. Segundo as suas lideranças, o movimento deveria se restringir ao âmbito das elites e das classes médias urbanas [...]
[Roberto Ventura, Um Brasil mestiço: raça e cultura na passagem da monarquia à república. Em: Carlos Guilherme Mota (org). Viagem incompleta. A experiência brasileira. Formação: histórias (1500-2000)]
A Sociedade Brasileira contra a Escravidão tem claras divergências em relação
aos grupos que levaram a questão da luta pelo fim da escravidão para as senzalas, com a promoção de fugas e levantes, como os que ocorriam com a liderança de Antônio Bento.
ao imperador Dom Pedro II, porque este se apresentava fora do país como um forte crítico da escravidão, mas impedia que uma maioria parlamentar fosse formada para se extinguir essa instituição.
às classes médias urbanas, que consideravam desnecessária qualquer legislação para tratar do escravismo visto que as leis abolicionistas – Ventre Livre e Sexagenários – já haviam resolvido tal problema.
aos deputados ligados aos grandes proprietários rurais do Nordeste, que eram contra qualquer legislação gradualista em combate à escravidão, porque consideravam que a abolição interessava apenas aos fazendeiros do vale do Paraíba.
aos deputados liberais que defendiam que abolição da escravatura fosse feita com rapidez e associada a algumas medidas compensatórias, como a instrução escolar para os libertos.