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Do ponto de vista prático, a posse de todos os instrumentos de força e violência por parte do totalitarismo no poder cria uma situação difícil e paradoxal para o movimento totalitário.
(Hannah Arendt, Origens do totalitarismo)
Para Hannah Arendt, “uma situação difícil e paradoxal” refere-se
às limitações que o poder de governo impõe para os projetos totalitários, porque esses regimes não podem governar mantendo práticas e discursos de força e violência diante das cobranças diplomáticas vindas das nações que mantiveram estruturas políticas liberais.
aos acordos estabelecidos, nas nações que enveredam para ordens totalitárias, com as instituições dominantes, pelos quais prevaleceria a uma ampla liberdade de culto e a manutenção de seus respectivos quadros formativos, protegendo-os contra quaisquer formas de violência estatal.
ao fato de que possuir o poder significa o confronto direto com a realidade, e o totalitarismo no poder procura constantemente evitar esse confronto, mantendo o seu desprezo pelos fatos e impondo a rígida observância das normas do mundo fictício que criou.
ao contraditório movimento das ordens totalitárias a partir do contexto de conquista do poder de Estado, e esses governos priorizam um discurso de violência e ódio contra várias minorias, mas efetivam políticas públicas que são, em geral, baseadas em preceitos liberais.
aos compromissos políticos assumidos pelos movimentos totalitários antes da chegada ao poder de Estado, que se tornaram barreiras para a plena efetivação de uma ordem totalitária, obrigando esses novos governos a reconhecer direitos tradicionais de algumas minorias.