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[...] a conferência de Berlim foi, na verdade, organizada por um Bismarck que queria confirmar seu próprio papel de árbitro nos conflitos internacionais, mas também participar, doravante, do rateio dos despojos.
(Marc Ferro, História das colonizações: das conquistas às independências, século XIII a XX)
Ainda sobre essa conferência, Marc Ferro considera que
a nação mais frágil na geopolítica europeia do final do século XIX, Portugal, foi a que mais ganhou com as deliberações da conferência, porque conquistou o direito ao chamado Mapa Cor-de-Rosa, território ligando Angola e Moçambique.
as suas principais decisões permitiram que numerosos espaços coloniais fossem cedidos principalmente à Espanha, pela Grã-Bretanha e França, em uma conjuntura na qual era mais interessante a exploração colonial no Extremo Oriente.
as nações participantes estabeleceram uma espécie de acordo, no qual cada potência europeia comprometia-se a não mais fazer aquisições selvagens na África sem notificar as outras e o principal beneficiário foi o rei Leopoldo da Bélgica.
houve um considerável avanço civilizatório porque durante as reuniões e debates sobre os caminhos da África Negra, vozes representativas desse espaço foram ouvidas e suas demandas respeitadas nas deliberações finais.
as fortes concessões territoriais feitas à Alemanha, Espanha e Itália no Magreb trouxeram importante crise política na Grã-Bretanha, porque a perda de estratégicos espaços coloniais colocou em xeque a capacidade da diplomacia do país.