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Os cativos estranhos não provinham apenas das guerras...

Os cativos estranhos não provinham apenas das guerras. Existiu em várias sociedades africanas a prática de penhor humano. Um clã, grupo ou linhagem, pela decisão do patriarca, podia empenhar um dos seus membros celibatários a uma outra linhagem credora, que poderia usá-lo gratuitamente até a extinção da dívida. O penhor poderia ser feito, por exemplo, em momento de grandes calamidades naturais. Nesse caso, o parente era empenhado para receber em troca quantidades de comida para salvar a linhagem.


(Kabengele Munanga e Nilma Lino Gomes. O negro no Brasil de hoje)


Para Munanga e Gomes, essas situações de exploração do trabalho presentes na África tradicional revelam que


A

a introdução do trabalho compulsório ocorreu entre os povos e reinos a partir dos contatos comerciais e diplomáticos com os europeus, especialmente os portugueses, desde o século XVI, quando tem início a produção de açúcar americano.


B

existia uma milenar ordem escravista, organizada a partir do poder dos principais Estados do continente, que enriquecia os grandes comerciantes e fornecia mão de obra abundante para a agricultura e a extração de prata e ouro.


C

o trabalho livre era a regra nas capitais dos reinos, cidades-Estado e grandes cidades comerciais, enquanto a escravidão prevalecia nas sociedades que desconheciam o Estado ou outra forma de poder institucionalizado.


D

as variadas modalidades de trabalho compulsório africano presentes fundamentavam a essência da economia e, assim, o tráfico continental de escravizados sofreu poucas transformações a partir das relações com os negociantes europeus.


E

há ausência de sistemas escravistas, porque a exploração não era renovada sistematicamente e não suscitava uma categoria de indivíduos mantida institucionalmente em uma relação de subordinação entre senhores e escravizados.