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Inúmeros quilombos foram construídos no século XIX, principalmente nas décadas finais do período escravista. Seus habitantes eram chamados de quilombolas, mocambeiros ou calhambolas e foram perseguidos pelos senhores de escravos e pelo aparato militar colonial e imperial. Alguns quilombos conseguiram sobreviver durante muitos anos mesmo durante a escravidão.
(Kabengele Munanga e Nilma Lino Gomes. O negro no Brasil de hoje)
Para Munanga e Gomes, em geral, a sobrevivência de alguns quilombos derivou
do fato de alguns quilombos localizarem-se em áreas de maior isolamento e outros manterem relação de aliança com indígenas, brancos pobres e demais grupos da população e em alguns casos, essas duas estratégias podem ter acontecido ao mesmo tempo.
de uma organização essencialmente militarizada e com forte hierarquização social, associada à produção de excedentes agrícolas exportáveis, como ocorria com o café, açúcar e tabaco, além do extrativismo representado pela exploração de ouro em Minas Gerais.
da improbidade administrativa da maior parte dos dirigentes designados para dirigir as mais importantes províncias do Império, porque havia o entendimento, entre esses dirigentes, de que os quilombos se constituíam em válvulas de escape para a opressão do sistema escravista.
de recorrentes acordos tácitos entre os quilombolas e os mais importantes proprietários de uma determinada região, sendo que, nesses acordos, os dirigentes quilombolas comprometiam-se em não ampliar a libertação de escravizados e os senhores evitavam atacar tais esconderijos.
das profundas rivalidades que separavam os interesses dos grandes proprietários rurais e as autoridades políticas do Império, porque enquanto essas autoridades consideravam a necessidade de abolir o escravismo, os senhores escravocratas defendiam a sobrevida do trabalho compulsório.