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Se levarmos em consideração o ano de 1693, quando, de acordo com texto do padre João de Sousa Ferreira, a população do Estado chegava a 1.300 [considerando somente a população adulta e masculina portuguesa], a vinda de um navio carregado de escravos [no caso 139 cativos] podia chegar a representar em torno de dez por cento dos homens portugueses.
CHAMBOLEYRON, Rafael. Escravos do Atlântico Equatorial: tráfico negreiro para o Estado do Maranhão e Pará (século XVII e início do século XVIII). Revista Brasileira de História, v. 26, n. 52, p. 79-114, São Paulo, dezembro, 2006. p. 102-103.
Os valores demográficos apresentados no fragmento acima, ao analisar a Amazônia colonial, revelam:
O esforço lusitano em abastecer a região com mão de obra cativa originária do continente africano, economia mais rentável para a Coroa, por conta da geração de tributos, se comparado com a exploração dos autóctones.
O intento metropolitano de garantir mão de obra abundante para a região na tentativa de dinamizá-la e consolidar uma elite colonial com mais autonomia em relação ao centro metropolitano.
A presença inexpressiva de escravizados africanos na Amazônia, fato que se explica pela maior rentabilidade da Coroa com a exploração da mão de obra originária.
A predominância da mão de obra indígena na Amazônia colonial, revelada pela visão humanística do pensamento cristão em relação aos africanos.
A densidade populacional elevada de portugueses na região, se comparado com as populações tradicionais locais.