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Sustenta-se que as leis científicas – se tal ideia é de algum modo aceita – vigoram apenas para as categorias universais: os objetos particulares são destinados ao domínio do fortuito. Como consequências práticas desta divisão, tem-se que os conceitos gerais – Estado absolutista, revolução burguesa ou Estado capitalista – tornam-se tão distantes da realidade histórica, que deixam de ter qualquer poder explicativo; enquanto os estudos particulares – confinados a áreas ou períodos delimitados – fracassam em desenvolver ou aprimorar uma teoria global.
(Perry Anderson, Linhagens do Estado absolutista.)
Em relação a esse debate, Perry Anderson explicita que a premissa do seu livro é que
as transformações históricas mais importantes e que determinam inflexões para os caminhos da humanidade devem ser procuradas no campo das ideias e das práticas culturais dominantes em um demarcado tempo-espaço, evitando-se explicações embasadas nas dimensões econômica e política.
não há nenhuma linha divisória entre necessidade e contingência na explicação histórica, separando tipos diversos de investigação – “longo prazo” contra “curto prazo”, ou “abstrato” contra “concreto” – havendo somente o que é conhecido, demonstrado pela pesquisa histórica, e o que não é conhecido, a exemplo das leis do movimento das estruturas globais.
a pesquisa histórica deve partir dos contextos mais amplos em direção às temáticas particulares e, dessa forma, a busca da historiografia deve privilegiar os processos históricos que sejam essencialmente universais, caso das revoluções burguesas ou dos modos de produção.
inexistem leis científicas que possam dirigir as práticas dos historiadores, porque cada acontecimento histórico é único e necessita ser compreendido em si mesmo, sem que se faça qualquer movimento no sentido de estabelecer comparações, que são provocadoras de anacronismos.
a essencialidade da pesquisa histórica reside na compreensão, bastante contemporânea, de que a imutabilidade do passado impossibilita o historiador de chegar a qualquer conclusão definitiva sobre os significados da experiência humana ao longo dos tempos e dos espaços.