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Ao publicar Casa-grande e senzala, em 1933, escreveria Gilberto Freyre: “Desde logo salientamos a doçura nas relações de senhores com escravos domésticos, talvez maior no Brasil do que em qualquer outra parte da América”.
A frase expressa com clareza a visão que perpassa o livro e a obra em geral do sociólogo pernambucano sobre a escravidão brasileira: a amenidade dessa escravidão, sobretudo se comparada com a de outros países escravocratas.
(Suely Robles Reis de Queiróz, Escravidão negra em debate. (Em:Marcos Cezar de Freitas, Historiografia brasileira em perspectiva.)
Após a Segunda Guerra, essas ideias de Freyre passam a ser contestadas. Uma contraposição ao sociólogo pernambucano pode ser encontrada na obra
Os africanos no Brasil, de Nina Rodrigues, que valoriza, pioneiramente, as formas de miscigenação que marcaram a constituição do povo brasileiro, com destaque para as contribuições africanas.
Populações meridionais do Brasil, de Oliveira Viana, marco da historiografia nacional que buscou demonstrar que as regiões mais desenvolvidas do Brasil contemporâneo não usaram o trabalho cativo.
Brasil e África. Outro Horizonte, de José Honório Rodrigues, na qual se apresenta um recorte cronológico inédito, apontando para a África como elo essencial para a formação do Estado nacional brasileiro.
O escravismo colonial, de Jacob Gorender, na qual se destaca a violência do cativeiro e a formação social brasileira é explicada a partir do modo de produção escravista colonial.
Capítulos de História Colonial, de Capistrano de Abreu, trabalho seminal sobre a formação social do Brasil e que analisa os significados históricos do uso da mão de obra livre na agroindústria colonial.