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A chegada dos portugueses representou para os índios uma verdadeira catástrofe. Vindos de muito longe, com enormes embarcações, os portugueses e em especial os padres foram associados na imaginação dos tupis aos grandes xamãs, que andavam pela terra, de aldeia em aldeia, curando, profetizando e falando de uma terra de abundância. Os brancos eram ao mesmo tempo respeitados, temidos e odiados, como homens dotados de poderes especiais.
(FAUSTO, 2002, p. 16.)
A constatação de que o encontro das culturas ameríndia e lusitana trouxe em seu escopo tragédias infindáveis é bem antiga. E, apesar de ainda suscitar estudos e discussões, pode-se afirmar que:
O contexto das grandes navegações e conquistas do século XVI corresponde à “nova ordem” da época: a expansão mercantilista.
O projeto iníquo, egoísta e ambicioso dos europeus foi engendrado e subsidiado pelos reis que ambicionavam conquistar a unificação de seus reinos.
Embora opositores veementes da escravidão ou exploração do trabalho compulsório indígena, os jesuítas acabaram por representar seus maiores algozes.
Os latifundiários, tanto lusitanos quanto flamengos, imbuídos pela sede de desenvolvimento da empresa agrícola, foram os protagonistas dessa empreitada colonizadora.