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A história das invasões coloniais no atual território acreano remonta, com maior intensidade, a pelo menos dois séculos de fatos e situações. Leia o excerto a seguir, Ugalde et al. (2021, p. 6-24):
“A esse fornecimento de mercadorias e outros artefatos deu-se o nome de aviamento. O sistema de aviamento funcionou como mecanismo de controle do capital comercial, durante o primeiro e segundo surto da borracha, gerando um processo de troca da borracha produzida pelos seringueiros por outros produtos necessários à permanência nos seringais. Assim, a troca Seringueiros/Seringalistas/Casas Aviadoras e casas Exportadoras. A partir de então, ocorreram milhares de outras ocupações, principalmente por egressos dos sertões nordestinos que fugiam da seca de 1877 e eram agenciados pelos novos seringalistas ou patrões, povoando a região, até então desabitada pelo homem branco e iniciando, assim, a conquista do território acreano”.
Os autores do texto demonstram que o contexto de ocupação e formação do Acre se realizou pelos mercados criados entre seringais, casas de aviamento e exportadoras. Pode-se dizer que o auge desse padrão espacial de ocupação ocorreu
na passagem entre os séculos XVI e XVIII, pela proximidade da região norte brasileira com as Antilhas e o Caribe, facilitando o processo de produção de grandes lavouras e de exportação para os países do Atlântico Norte, que começavam a se industrializar no período, aumentando a necessidade de compra de borrachas.
nos períodos entre 1800-1860, quando a família real se desloca de Portugal em direção ao Rio de Janeiro e começa um processo de interiorização na ocupação do território nacional, desenvolvendo regiões mais longínquas, em decorrência do auge dos preços e da demanda de borracha.
entre as décadas de 1860-1920, período de intensificação da industrialização mundial e de migrações no sentido oeste e noroeste do território brasileiro, respectivamente ocupado por migrantes nordestinos, sulinos e sudestinos, durante a crescente demanda de produção e de exportação de borracha.
quando houve o crescimento de cidades importantes como Rio Branco, Santa Rosa do Purus, Xapuri e Capixaba, durante os anos de 1840-1890, pela exigência internacional na produção de borracha, habitantes de áreas remotas como BA, PE, SE, DF e RJ migraram para o Acre, para trabalhar nas lavouras de café, de algodão e de seringais.