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Embora os historiadores tenham assinalado as preocupações da Igreja católica de catequização dos negros no Brasil, não há registros de uma ação educativa que os iniciasse na árdua tarefa da leitura dos evangelhos. A palavra escrita lhes era inacessível. Como eram então doutrinados? No catolicismo imposto às classes populares “a figura do Cristo Revelado no Novo Testamento é praticamente desconhecida “. São os “santos” que estão na base do catolicismo popular. Assim, a catequese dos africanos no Brasil não se fez acompanhar de um processo que pressupusesse, antes de mais nada, a aquisição da leitura. Na realidade, não se buscava decifrar no Novo testamento as mensagens do Cristo Revelado; o catolicismo dos negros, no período colonial, foi estruturado a partir de suas devoções aos santos e à Virgem Maria. O que de fato eram as irmandades? Que função preenchiam na vida colonial?
(GONÇALVES, Luiz Alberto Oliveira. Negros e Educação no Brasil. In: LOPES, Eliane
Marta Teixeira; FARIA FILHO, Luciano Mendes; VEIGA, Cynthia Greive. 500 anos de
educação no Brasil. Belo Horizonte: Autêntica, 2011)
Para responder as questões propostas pelo autor, cumpre analisar que as irmandades foram
espaços de escolarização da população negra escravizada, o que respondia a uma demanda social da Igreja católica.
aceitas pelos senhores, pois assim não precisavam conviver com os negros nos mesmos espaços de culto.
espaços de convívio harmonioso e trocas culturais entre as diversas nações africanas face à luta contra a escravidão.
locais de ruptura entre o catolicismo branco, vivido pelos senhores de engenho, e o catolicismo negro, vivido nas ruas e plantações.
espaços de organização política dos negros africanos e dos negros nascidos no Brasil para preservar a escravidão.