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A reflexão histórica e social e a ciência política nasceram juntas no Renascimento, num encontro que não foi meramente casual. Desse cruzamento de interesses nasceria outra corrente de pensamento tão original quanto ousada: os utopistas. As obras mais notáveis nesse gênero são a Utopia (1516) de Thomas Morus, a Cidade do Sol (1623) de Campanella e a Nova Atlântida (1626) de Francis Bacon.
(Nicolau Sevcenko, O renascimento, p. 22. Adaptado)
Sobre as três obras utopistas, é correto afirmar que elas, segundo Sevcenko,
aproximam-se de uma leitura revolucionária para os séculos XVI e XVII, que defende que a capacidade humana em produzir riquezas é limitada e essa capacidade pode ser desenvolvida por meio da análise mística da realidade.
apropriam-se de referenciais teóricos do protestantismo, como o entendimento de que a salvação divina dependia de três elementos centrais: a demonstração de fé, a participação nos sacramentos e a prática da caridade.
estabelecem leituras contrapostas sobre a essência do ser humano e a sua relação com os outros seres humanos e Deus, assim como atribuem papéis mais ou menos importantes para a Igreja Católica.
abordam temas diversos, como economia, cultura e religiosidade, mas todas questionam a capacidade humana de construir uma ordem justa sem a utilização de referências presentes na teologia moral da Igreja Católica.
tratam do mesmo tema, assim concebem uma comunidade ideal, puramente imaginária, em que os homens vivem e trabalham felizes, com fartura, paz e mantendo relações fraternais, a partir de um poder altamente centralizado.