Atenção: Leia o
texto abaixo para responder
às questões de números 1 a 6.
As
pessoas se odeiam no trânsito, seguram
seus volantes como baterias antiaéreas, usam
a buzina como o botão que dá a
partida num míssil. Mas, no fundo, as
pessoas são boas. E sou testemunha.
Em
trem, já fui carregado por um indiano que
nunca mais vi. Desconhecidos me ajudaram a
subir escadas sem pedir nada em
troca. “Quer uma ajuda” é um mantra com que
todo deficiente, como eu, que sou
cadeirante, habitua-se rotineiramente.
O
ódio existe, sempre existiu. Algumas
pessoas se desrespeitam na internet,
discordam umas das outras, usam argumentos
que consideram ofensivos, como “vai ler”,
“vai estudar”. A não ser psicopatas, que não
são poucos, algumas pessoas, quando
flagradas, arrependem-se, pedem desculpas,
são fotografadas de cabeça baixa,
tristes.
O homem tem empatia. Tem
capacidade de
sentir (e até prever) o que o outro sente.
Foi Kant quem disse que o altruísmo é
uma condição humana. E os evolucionistas,
como Darwin, garantem que os genes humanos
criaram um agente inédito, não biológico,
ao comportamento animal: a cultura.
Culinária, música, poesia, competições
esportivas, folclore, religião, filosofia,
noção da vida e da morte são próprios dos
homens, nos distinguem, nos diferenciam, nos
afastam do passado primata. Como o
altruísmo.
Kant insistia: conservar a
própria vida é um
dever; ser bom quando se pode é um dever.
Existem pessoas tão capacitadas para
o altruísmo, que, mesmo sem qualquer vaidade
ou interesse, experimentam uma satisfação
grande com o contentamento do outro;
fazem o bem não por uma inclinação, mas por
um dever. Daí nasceu a ideia de utopia. Eu
prefiro acreditar que ela existe. E lutar
por
ela.
(Adaptado de: RUBENS PAIVA,
Marcelo.
Disponível em:
cultura.estadao.com.br)