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Leia o Texto 1 para responder às questões de 1 a 10.
TEXTO 1
Professor faz análise sobre a importância do servidor público para a sociedade
Cícero Péricles ressalta que a atuação vai além dos tempos de pandemia.
Por Ascom Ufal 29/10/2020 12h38min.
O setor público e seus servidores nunca estiveram tão presentes na vida social e na agenda política dos estados nestes últimos meses. Para Cícero Péricles, economista e professor da Ufal, de uma hora para outra, nomes, rostos, histórias e feitos de pessoas ligadas a instituições públicas se avolumaram em publicações de sites, mídias sociais e demais veículos de comunicação. “O setor, de quase invisível, passou a ter seu valor considerado como indispensável para o bem-estar e o bom andamento da sociedade”, reforçou.
Segundo Péricles, um dos principais exemplos disso vem da área de saúde. “Desde o início da pandemia da covid-19, o setor parece ter crescido de tamanho e importância, com os relatos de profissionais empenhados em salvar pacientes, ou que, infelizmente, comprometeram a própria vida no desempenho de suas funções. A rede pública de saúde, com seus hospitais, postos de atendimento, equipes de saúde familiar e seus milhares de funcionários, parece ter ficado maior e mais presente, tal é a centralidade de sua existência na vida de toda a população. Mas, não. Essa rede atuava com os mesmos equipamentos, os mesmos procedimentos e o mesmo contingente de pessoas, faz um longo tempo. Um trabalho dedicado e abnegado que, muitas vezes, é dimensionado apenas pelos números frios das estatísticas de atendimento”, afirmou.
Além da saúde, o professor enfatiza também o papel da educação, cuja rede pública escolar teve de suspender suas atividades em março. “Desde então, há um debate sobre a volta às aulas presenciais que interessa a um milhão de crianças e jovens alagoanos das escolas de ensino básico, municipais e estaduais, e do ensino superior estadual [Uncisal e Uneal] e federal [Ufal e Ifal]. A interrupção das aulas trouxe uma série de desdobramentos. Ela mexeu com as perspectivas de futuro dessas crianças e jovens, alterou suas rotinas, assim como a de seus pais, mães e familiares. De repente, se descobriu o quanto as escolas e as universidades são extensões de nossa casa e cotidiano. E quem sabe daí não surja uma nova maneira de reconhecer o papel de educadores, educadoras e demais servidores públicos na construção da trajetória de cada estudante”, ressaltou.
Péricles revela que na área da assistência social ficou ainda mais evidente a presença pública com o auxílio emergencial. “O benefício construído no Congresso, formalizado pelo Ministério da Cidadania e operacionalizado por um banco público, a Caixa Econômica, chegou às mãos de 1,2 milhão de alagoanos, quase toda a população. Foram esses agentes públicos, por meio de seus funcionários, que projetaram aplicativos, encaminharam documentações, trabalharam em duplas jornadas para garantir a chegada dos recursos a todos os beneficiários”, confirmou.
O docente lembra, ainda, que os municípios estão em plena campanha das eleições locais e destaca: “Em cada localidade, candidatos a prefeito e a vereador defendem a presença do setor público municipal nas áreas em que as prefeituras devem cumprir seu papel constitucional. Todos esses setores dependem da presença de funcionários que tornam possível a tramitação de ações, processos e programas institucionais, que fazem a mediação entre as demandas do público e os agentes legisladores e executores”.
Abaixo da média
De acordo com o professor, existe, atualmente, um debate sobre o tamanho do Estado e, naturalmente, da administração pública. “Recentemente, a OCDE [Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico] revelou que, comparado com os países da OCDE, o percentual do Brasil de 12,5% de servidores públicos em relação à população empregada está bem abaixo da média de países desenvolvidos, que é de 22%. Até mesmo os Estados Unidos, um dos países de economia mais liberal, têm uma média de 15,8%. O estado brasileiro, com a administração pública, suas estatais, o sistema financeiro federal e seu conjunto de servidores, é ainda pequeno para as necessidades sociais atendidas pelo setor público”, revelou.
E completa: “Em Alagoas, um conjunto de 179 mil trabalhadores formam a administração pública no Estado. São 42 mil funcionários estaduais, 17 mil federais e 120 mil servidores municipais. São eles e elas que sustentam todas essas instituições públicas, mesmo sendo um contingente deficitário para uma sociedade de 3,3 milhões de habitantes. O Estado ainda não universalizou o acesso à saúde pública, tem parte de sua população em idade escolar fora das instituições de ensino, com grandes demandas no atendimento das necessidades sociais, nas esferas federal, estadual e municipal. Somente com a melhoria e a ampliação da qualidade do serviço público, é possível garantir a todos esses direitos constitucionais, assim como o direito à moradia e o acesso a terra, segurança e vida cultural”.
Péricles fala sobre mudanças na administração pública que estão em processo de discussão. “Neste momento, articula-se no Congresso Nacional uma proposta do governo federal de uma reforma administrativa que, estranhamente, deixa de fora militares, juízes e parlamentares. É quase exclusiva para os setores e servidores que atendem diretamente à população. Uma proposta centrada numa visão estritamente liberal, orientando-se apenas pela lógica de desmonte, com cortes, limitações e redução de direitos trabalhistas”, reforçou.
Ele reforça que “a privatização de algumas áreas vitais do serviço público penaliza tanto os servidores como a população que delas dependem. Mas, como essa proposta não é nova, nem original, a sociedade brasileira saberá rejeitar. Sem o setor público e suas instituições, saúde, educação, assistência social, segurança, infraestrutura, planejamento e mobilidade urbana não existiriam. Para que o setor público exista e funcione, depende da presença de servidores, os funcionários públicos. São eles que garantem, assim, a vida social e os direitos constitucionais da cidadania”.
Disponível em: https://ufal.br/servidor/noticias/2020/10/professor-faz-analise-sobre-a-importancia-do-servidor-publico-para-a-sociedade. Acesso em: 14 de agosto de 2021. (Adaptado).
Em relação aos verbos de dizer (dicendi) usados no Texto 1, é INCORRETO afirmar que:
Apresentam uma diversidade que confere dinamicidade ao Texto 1, aproximando-o, em certa medida, do discurso oral.
Reforçam o caráter neutro do Texto 1, ao propiciarem objetividade ao discurso emitido pelo professor Péricles.
São importantes na construção da orientação argumentativa, uma vez que estão atrelados ao discurso direto que reporta os argumentos do professor Péricles.
Sinalizam, para o leitor, a maneira pela qual o professor Péricles se expressa ao emitir opinião.