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Leia atentamente o poema Os ombros suportam o mundo, de Carlos Drummond de Andrade, publicado em 1940, para responder às questões de 1 a 3
Os Ombros Suportam o Mundo
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
Leia atentamente as afirmações a seguir:
I – A primeira estrofe localiza o poema temporalmente, tempo esse permeado pela descrença e pelo desamor.
II – Na última estrofe, o valor e a importância da velhice e da vida são questionados.
III – Na segunda estrofe, fica demarcado o abatimento social diante do sofrimento contínuo.
É (São) correta(s) a(s) afirmação(ões):
Todas.
I e II.
I e III.
III.