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Leia o texto para responder às questões de números 28 e 29.
À esquerda do vale, e abrigado do norte pela montanha que ali se corta quase a pique, está um maciço de verdura do mais belo viço e variedade. A faia, o freixo, o álamo entrelaçam os ramos amigos; a madressilva, a musqueta penduram de um a outro suas grinaldas e festões: a congossa, os fetos, a malva-rosa do valado vestem e alcatifam o chão. Para mais realçar a beleza do quadro, vê-se por entre um claro das árvores a janela meia aberta de uma habitação antiga mas não dilapidada — com certo ar de conforto grosseiro, e carregada na cor pelo tempo e pelos vendavais do sul a que está exposta. A janela é larga e baixa; parece mais ornada e também mais antiga que o resto do edifício que todavia mal se vê...
Interessou-me aquela janela.
Quem terá o bom gosto e a fortuna de morar ali?
Parei e pus-me a namorar a janela.
Encantava-me, tinha-me ali como num feitiço.
Pareceu-me entrever uma cortina branca... e um vulto
por detrás... Imaginação decerto! Se o vulto fosse feminino!
... era completo o romance.
Como há de ser belo ver pôr o Sol daquela janela! ...
E ouvir cantar os rouxinóis! ...
E ver raiar uma alvorada de Maio!
... Se haverá ali quem a aproveite, a deliciosa janela?
... quem aprecie e saiba gozar todo o prazer tranquilo,
todos os santos gozos de alma que parece que lhe andam
esvoaçando em torno?
Se for homem é poeta; se é mulher está namorada.
São os dois entes mais parecidos da natureza, o poeta e
a mulher namorada: veem, sentem, pensam, falam como a
outra gente não vê, não sente, não pensa nem fala.
(Massaud Moisés. A Literatura Portuguesa Através Dos Textos)
Cada um de nós, professor ou não, precisa elevar o grau da própria autoestima linguística: recusar com veemência os velhos argumentos que visem menosprezar o saber linguístico individual de cada um de nós. Temos de nos impor como falantes competentes de nossa língua materna. Parar de acreditar que “brasileiro não sabe português”, que “português é muito difícil”, que os habitantes da zona rural ou das classes sociais mais baixas “falam tudo errado”. Acionar nosso senso crítico toda vez que nos deparamos com um comando paragramatical e saber filtrar as informações realmente úteis, deixando de lado (e denunciando, de preferência) as afirmações preconceituosas, autoritárias e intolerantes. Da parte do professor em geral, e do professor de língua em particular, essa mudança de atitude deve refletir-se na não aceitação de dogmas, na adoção de nova postura (crítica) em relação a seu próprio objeto de trabalho.
(Marcos Bagno. Preconceito linguístico)
A nova postura (crítica) defendida por Marcos Bagno solidariza-se ao contido
nos Parâmetros Nacionais – Língua Portuguesa, que concebem as variações linguísticas como constitutivas das línguas humanas, razão pela qual os usos sociais da língua devem ser levados em consideração nas práticas de sala de aula.
nos Parâmetros Nacionais – Língua Portuguesa, que concebem a variação linguística como inevitável para um país com as dimensões como a do Brasil, razão pela qual a escola deve promover a unificação linguística dos alunos.
na Base Nacional Curricular Comum, que concebe a língua como um sistema imutável de signos empregados na comunicação humana, razão pela qual deve ser perseguido em sala de aula o ensino da norma de prestígio social.
no Currículo Paulista – Ensino Fundamental, que concebe a língua escrita como sinônimo de língua falada, razão pela qual a oralidade deve orientar as práticas em sala de aula, sobretudo no que concerne à questão da variação linguística.
na Base Nacional Curricular Comum, que concebe a língua e a linguagem a partir das mudanças históricas que a determinam, razão pela qual é imperativo promover em sala de aula reflexões sobre a evolução histórica de ambas.