Para responder às questões 01 a 05, leia o texto abaixo.
As aventuras de Tibicuera
- [...]
- Passaram-se algumas luas. Uma tarde eu ia
- escanchado na cintura de minha mãe e o pajé da
- nossa tribo nos fez parar na frente de sua oca. Olhou
- para mim. Viu que eu era magro, feio e tristonho. O
- pajé era um homem muito engraçado.
- Como fazia troça de toda a gente e de todas
- as coisas, diziam que ele era irônico. Pois o pajé me
- examinou da cabeça aos pés, sorriu e disse:
- "Tibicuera".
- O nome pegou. Toda a gente ficou me
- chamando Tibicuera. Tibicuera na nossa língua queria
- dizer cemitério. O nome sentava bem. Eu era magro e
- chorão. Certa vez fiquei parado, olhando a minha
- sombra no chão. Era a sombra de um guri cabeçudo,
- de barriga enorme, como que inchada. As pernas eram
- finas como os juncos que crescem nos rios. Soltei um
- grito de tristeza. Na taba até pensaram que tinha sido
- gemido de urutau.
- Uma tarde me debrucei sobre um córrego para
- matar a sede. Vi minha cara no espelho da água. Levei
- um susto. Ergui-me num pulo e saí a correr. Agarrei-
- me às pernas de minha mãe e choraminguei:
- — Vi um peixe feio dentro d'água, mãe.
- Cresci na caba, comendo terra, perseguindo
- as formigas e as minhocas.
- Aos cinco anos fiz minha primeira caçada de
- tucanos. Mas não me meti fundo no mato, porque tinha
- medo de encontrar Anhangá, Curupira e os outros
- espíritos maus.
- [...]
Autor: Erico Veríssimo (adaptado).