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No excerto “amar o inóspito, o áspero, um vaso sem flor, um...

Texto para responder às questões de 1 a 7.


Amar


Que pode uma criatura senão,

entre criaturas, amar?

amar e esquecer,

amar e malamar,

amar, desamar, amar?

sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,

sozinho, em rotação universal, senão

rodar também, e amar?

amar o que o mar traz à praia,

e o que ele sepulta,

e o que, na brisa marinha,

é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,

o que é entrega ou adoração expectante,

e amar o inóspito, o áspero,

um vaso sem flor, um chão de ferro,

e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma

ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,

distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,

doação ilimitada a uma completa ingratidão,

e na concha vazia do amor a procura medrosa,

paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor,

e na secura nossa amar a água implícita, e o

beijo tácito, e a sede infinita.

Carlos Drummond de Andrade

No excerto “amar o inóspito, o áspero, um vaso sem flor, um chão de ferro”, o tipo de linguagem empregada é:


A

coloquial, já que retrata um modo de falar típico do cotidiano.


B

figurada, já que ‘vaso sem flor’ e ‘chão de ferro’ são metáforas relacionadas a inóspito e áspero.


C

própria, já que o sentido expresso por ‘vaso sem flor’ e ‘chão de ferro’ são literais.


D

injuntiva, já que procura direcionar a forma de amar ao que não é atrativo.


E

denotativa, já que descreve a forma de amar de modo objetivo e com referências literais.