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ESTAVA LÁ AQUILES, QUE ABRAÇAVAEstava lá Aquiles, que...

ESTAVA LÁ AQUILES, QUE ABRAÇAVA


Estava lá Aquiles, que abraçava

Enfim Heitor, secreto personagem

Do sonho que na tenda o torturava;


Estava lá Saul, tendo por pajem

Davi, que ao som da citara cantava;

E estavam lá seteiros que pensavam

Sebastião e as chagas que o mataram.

Nesse jardim, quantos as mãos deixavam

Levar aos lábios que o atraiçoaram!

Era a cidade exata, aberta, clara:

Estava lá o arcanjo incendiado

Sentado aos pés de quem desafiara;

E estava lá um deus crucificado

Beijando uma vez mais o enforcado.

Mário Faustino. Poesia de Mário Faustino. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1966, p. 85.


Identifique, por meio do poema em análise, a alternativa, na qual, percebe-se uma das marcas da poética de Mário Faustino.


A

Retextualização de temáticas mitológicas e religiosas para enfatizar, por meio de um tom jocoso e debochado, o caráter ferino de sua poética.


B

Intertextualidade com temáticas mitológicas e religiosas, sintetizando sentimentos divergentes de episódios originais, demonstrando o experimentalismo de sua poética.


C

Pastiche com temáticas mitológicas e religiosas, a fim de ironizar correntes como o racionalismo e o paganismo.


D

Paródia com temáticas mitológicas e religiosas, para construir uma crítica jocosa à historiografia e ao catolicismo.


E

Intercontextualidade com temáticas mitológicas e religiosas, ratificando, em sua poética, episódios trágicos da literatura greco-latina.