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O texto abaixo é base para responder as questões 50 e 51.
TEXTO IV
Buscando a Cristo
A vós correndo vou, braços sagrados,
Nessa cruz sacrossanta descobertos,
Que, para receber-me, estais abertos,
E, por não castigar-me, estais cravados.
A vós, divinos olhos, eclipsados
De tanto sangue e lágrimas abertos,
Pois, para perdoar-me, estais despertos,
E, por não condenar-me, estais fechados.
A vós, pregados pés, por não deixar-me,
A vós, sangue vertido, para ungir-me,
A vós, cabeça baixa, p'ra cnamar-me
A vós, lado patente, quero unir-me,
A vós, cravos preciosos, quero atar-me,
Para ficar unido, atado e firme.
(MATOS, Gregório de. Poemas escolhidos. São Paulo: Cultrix, 1981.)
Quando lemos um texto, a nossa atenção costuma se voltar para o sentido das palavras. Ao fazer isso, analisamos seu aspecto semântico. As palavras, porém, também têm uma sonoridade muito explorada pela literatura. Essa sonoridade é a base para a construção de recursos poéticos, como o ritmo, o metro e a rima. No poema em tela (Texto IV), quanto à presença desses recursos, só NÃO é correto afirmar que:
A análise métrica da poesia revela que ela está estruturada em versos decassílabos, ou seja, com dez sílabas métricas cada.
O poema segue um esquema de rima “abba” em seus quartetos e “cdc” e “dcd" nos tercetos, podendo ser classificados como intercalados e alternados, respectivamente.
Os versos são sáficos (as sílabas tônicas são a 4.ª), a 8ª e a 10).
Os versos 5, 9, 10, 11, 12 e 13 constroem-se com a omissão do verbo, já referido no 1º verso - “correndo vou”, o que denota o procedimento estilístico denominado zeugma.
Outro recurso estilístico utilizado pelo autor é a anáfora.