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Leia o texto abaixo para responder às questões de 1 a 6.
Histórias de ninar (adultos)
Houve um tempo em que a arte era um holofote na unha encravada, não um campeonato de melhores esmaltes. Raskolnikov matava velhinhas, a família de Gregor Samsa o assassinava a “maçãzadas”, "Memórias Póstumas de Brás Cubas" (Machado de Assis) é o retrato mais perfeito de tudo o que tem de pior na sociedade brasileira, uma sequência tristemente hilária de ações moralmente condenáveis, atitudes “pusilânimes”, cálculos mesquinhos e maus passos cretinos.
Madame Bovary procura nos amantes algum escape ou sentido para sua vidinha provinciana. Flannery O'Connor termina um de seus contos mais bonitos com um cara roubando a perna mecânica de uma mulher. E “Laranja Mecânica” (Anthony Burgess)? Os atos mais bárbaros de uma gangue de jovens niilistas e drogados são terrivelmente (mal) remendados pelas ações de um estado opressor e autoritário.
Nelson Rodrigues via em obras como essas um remédio. Católico, escreveu uma vez que Madame Bovary traía para que as senhoras na plateia não o fizessem. Há hipóteses menos pedagógicas. Talvez, Madame Bovary traía simplesmente porque os seres humanos traem — sem nenhuma lição ou intuito pedagógico por parte do Flaubert. Afinal, arte não existe para fazer ninguém se sentir bem. Pra isso existem o Frontal, o Hopi Hari e os discursos motivacionais. Como disse Tchekhov, o papel do artista é fazer perguntas, não encontrar as respostas.
A literatura, o cinema e o teatro vêm se transformando num exercício de lacração: o mal está sempre no outro, os protagonistas são ironmen/women da virtude. A pessoa sai da leitura ou da sessão não com a guarda abaixada, as certezas abaladas, mais próxima da verdade (ou, à falta de uma palavra melhor, da sinceridade): sai com suas certezas reforçadas.
A realidade é confusa. Contraditória. Muitas vezes incompreensível. A arte é onde tentamos (e na maioria das vezes falhamos, mas seguimos tentando) nos mostrar nus, com todos os nossos defeitos. Se não for pra isso, mais vale ficar com Frontal, Hopi Hari ou palestra motivacional.
(Antonio Prata. Adaptado).
De acordo com a leitura do texto, assinale a alternativa que apresenta o recurso argumentativo que o escritor utiliza para comprovar o seu ponto de vista de que “a arte era um holofote na unha encravada”.
Argumentos de autoridade.
Exemplos de obras de arte.
Sequenciamento lógico.
Ponto e contraponto.