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TEXTO PARA AS QUESTÕES DE 65 A 67


Outro fator impactante nas relações científico-acadêmicas brasileiras com o restante das universidades estrangeiras decorre de uma posição poucas vezes debatida.

Com efeito, a maior parte das universidades e centros de pesquisa brasileiros assumem uma posição específica na busca de sua inserção internacional, almejando certo reconhecimento da parte de centros de pesquisa consagrados internacionalmente. E não há nenhum reparo nessa conduta. Todavia, entendo que não deva ser adotada, exclusivamente, essa linha de inserção.

A posição ocupada pelo Brasil, tradicionalmente, no mundo, seja nos aspectos econômico, político, diplomático e, também, científico, é uma posição intermediária. Olhar para o topo da pirâmide, quando se encontra inserido num estrato intermediário pode representar o desejado motor para o desenvolvimento científico nacional e a consequente inserção na elaboração da ciência global. O que não se defende é a atitude de olhar apenas para o topo dessa “cadeia alimentar”.

A circunstância de se estar situado numa camada intermédia do desenvolvimento científico e na percepção da medida de impacto que essa ciência é capaz de desempenhar exige das universidades, dos centros de pesquisa, dos pesquisadores e dos cientistas uma postura bifronte: ao mesmo tempo em que se deve olhar para cima, isto é, para a pesquisa de ponta realizada em grandes centros, pois essa atitude pode auxiliar a inserção internacional, também é necessário reconhecer que uma verdadeira inserção internacional se faz efetiva quando acompanhada de outro importante fator: o da transferência do conhecimento àqueles que ainda não o dominavam. Quando se olha para baixo, ou seja, para a pesquisa realizada em centros menos óbvios de pesquisa e difusão científica, garante-se, do mesmo modo, inserção internacional, mas uma inserção que se faz acompanhar por uma difusão social do conhecimento desenvolvido naquele centro.


A pandemia como oportunidade de intercâmbio acadêmico e científico por meio de uma internacionalização inclusiva. Gustavo Ferraz de Campos Monaco

O texto faz referência a uma postura bifronte de instituições que buscam inserção acadêmica internacional e se encontram situadas a meio do caminho do desenvolvimento científico e tecnológico. Pode-se afirmar que, segundo o autor, a postura bifronte é


A

desejável, com preferência para os centros de pesquisa reconhecidos internacionalmente.


B

desejável, com preferência para os centros de pesquisa menos desenvolvidos e que dependem do auxílio das instituições brasileiras.


C

desejável, sem expressar preferência quer pelos centros de pesquisa internacionalmente reconhecidos, quer daqueles menos desenvolvidos.


D

recriminável, pois uma instituição de ensino e pesquisa deve sempre mirar seu próprio desenvolvimento, o que só é possível alcançar com o estabelecimento de cooperação unidirecional com instituições reconhecidas.


E

recriminável, pois uma instituição de ensino e pesquisa deve sempre mirar seu próprio desenvolvimento, o que só é possível alcançar com transferência unidirecional de tecnologias, o que só se alcança com parcerias com instituições pouco desenvolvidas.