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Mas, tanto lhe ouviu falar em morte que teve medo, e um dia correu a pedir à minha mãe que lhe fizesse o favor de ver se lhe salvava o marido que se queria matar. Minha mãe foi achá-lo à beira do poço, e intimou-lhe que vivesse. Que maluquice era aquela de parecer que ia ficar desgraçado, por causa de uma gratificação menos, e perder um emprego interino? Não, senhor, devia ser homem, pai de família, imitar a mulher e a filha... Pádua obedeceu; confessou que acharia forças para cumprir a vontade de minha mãe.
— Vontade minha, não; é obrigação sua.
DE ASSIS, Machado. Dom Casmurro. Disponível em: https://machado.mec.gov.br/. Acesso em 20 jul. 2024.
No que se refere aos tipos de discurso e seus efeitos, é correto afirmar que o trecho
“— Vontade minha, não; é obrigação sua” é um exemplo de discurso indireto livre, com o emprego do travessão para indicar que o relato da fala da personagem é feito pelo narrador de forma espontânea.
“um dia correu a pedir à minha mãe que lhe fizesse o favor de ver se lhe salvava o marido” é um exemplo de discurso direto, que transcreve literalmente o conteúdo da fala da personagem sem interferência do narrador.
“Que maluquice era aquela de parecer que ia ficar desgraçado, por causa de uma gratificação menos” é um exemplo de discurso indireto livre, que mostra uma associação entre narrador e personagem e mantém os elementos afetivos do discurso.
“Não, senhor, devia ser homem, pai de família, imitar a mulher e a filha...” é um exemplo de um discurso dirigido ao leitor, a quem o narrador trata por “senhor” de modo irônico, com o efeito de promover o engajamento na leitura.
“Pádua obedeceu; confessou que acharia forças para cumprir a vontade de minha mãe” é um exemplo de discurso indireto, em que a personagem toma o lugar do narrador para expressar algo de seu mundo interior.