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Atenção: Leia o poema de Carlos Drummond de Andrade para responder às questões de números 1 a 8.
Ode no cinquentenário do poeta brasileiro
Esse incessante morrer
que nos teus versos encontro
é tua vida, poeta,
e por ele te comunicas
com o mundo em que te esvais.
Debruço-me em teus poemas
e neles percebo as ilhas
em que nem tu nem nós habitamos
(ou jamais habitaremos!)
e nessas ilhas me banho
num sol que não é dos trópicos,
numa água que não é das fontes
mas que ambos refletem a imagem
de um mundo amoroso e patético.
Tua violenta ternura,
tua infinita polícia,
tua trágica existência
no entanto sem nenhum sulco
exterior — salvo tuas rugas,
tua gravidade simples,
a acidez e o carinho simples
que desborda em teus retratos,
que capturo em teus poemas,
são razões por que te amamos
e por que nos fazes sofrer...
Certamente não sabias
que nos fazes sofrer.
Por isso sofremos: pela mensagem que nos confias
entre ônibus, abafada pelo pregão dos jornais e mil queixas operárias;
essa insistente mas discreta mensagem
que, aos cinquenta anos, poeta, nos trazes;
[...]
Que o poeta nos encaminhe e nos proteja
e que o seu canto confidencial ressoe para consolo de muitos e esperanças de todos,
os delicados e os oprimidos, acima das profissões e dos vãos disfarces do homem.
Que o poeta Manuel Bandeira escute este apelo de um homem humilde.
(Adaptado de: ANDRADE, Carlos Drummond. Alguma Poesia Rio de Janeiro: Record, 2022)
mas que ambos refletem a imagem (2ª estrofe)
O numeral sublinhado refere-se aos seguintes termos anteriormente citados:
trópicos e fontes
sol e água
tu e nós
imagem e mundo
poemas e ilhas