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Assinale a alternativa que classifica corretamente as...

A mulher sozinha

Por Maria Julieta Drummond de Andrade

  1. Era magra e estava sempre com o mesmo vestido rasgado. Usava chinelos de feltro,
  2. velhíssimos. Ela própria parecia velhíssima, embora de perto mostrasse, sob a sujeira e as rugas,
  3. um rosto que era apenas maduro, gasto pela miséria. Acostumei-me a vê-la sentada, de manhã
  4. e de tarde, naquele canto, sobre o cimento cheio de poeira. Os que entravam apressados na
  5. igreja praticamente a ignoravam e só reparavam nela depois da missa, quando saíam devagar.
  6. Passando diante da igreja duas vezes por dia, certa cumplicidade criou-se entre nós duas:
  7. quando eu tinha tempo e ela não estava agradecendo as esmolas, conversávamos. Contou-me
  8. que vivia no outro extremo da cidade e que fazia uma longa caminhada, cedinho, até a estação,
  9. para tomar o trem, e outra até o lugar onde nos encontrávamos. Não me explicou por que
  10. escolhera um bairro tão distante para mendigar e nada lhe perguntei a respeito, receando lhe
  11. ferir a intimidade ou introduzir-me em seu segredo. Há uns dois meses encontrei-a radiante,
  12. com um pequeno vulto escuro entre os braços: era uma cachorrinha recém-nascida, Maria
  13. Isabel, que a mulher ninava e acarinhava com deslumbramento. Disse-me que a recolhera de
  14. uma lata de lixo e a batizara logo. Da sacola de palha que sempre trazia consigo retirou uma
  15. garrafa d'água e uma colherinha e, com infinita delicadeza, foi entornando algumas gotas na
  16. goela da bichinha, que gania baixo, ainda de olhos fechados. A mulher não desgrudava os olhos
  17. dela e, remoçada pela alegria e atenção que a cachorrinha ofertava e exigia, deu até para cantar
  18. uma música confusa e antiga.
  19. As duas não apareceram na última semana. Até que ontem o jornaleiro, compungido,
  20. contou-me uma das histórias mais tristes que já ouvi. Maria Isabel se transformara numa vira-
  21. lata peluda, encantadora, de focinho redondo e olhos de açúcar. Tão linda, que um malvado
  22. achou de roubá-la. A mulher passou a noite atrás da cadela, de um lado para o outro da estação,
  23. chorando, gemendo, chamando-a por nomes doces e implorantes. Depois sentou-se num banco
  24. e ali ficou imóvel, em silêncio, até o dia clarear.

(Disponível em: cronicabrasileira.org.br/cronicas/17849/a-mulher-sozinha – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que classifica corretamente as palavras destacadas no trecho abaixo e a função que desempenham no texto:

“Era magra e estava sempre com o mesmo vestido rasgado. Usava chinelos de feltro, velhíssimos. Ela própria parecia velhíssima, embora de perto mostrasse, sob a sujeira e as rugas, um rosto que era apenas maduro, gasto pela miséria” (l. 01-03).


A

Pronomes possessivos – indicam posses da mulher.


B

Substantivos – nomeiam características da mulher.


C

Verbos – descrevem o estado da mulher.


D

Adjetivos – qualificam a aparência da mulher.


E

Advérbios – modificam os verbos, indicando a intensidade das ações.