Com documentário na Netflix, Emicida dá aula de história em forma de poesia
Por Luciano Guaraldo
- De olho no futuro do planeta, Leandro Roque de Oliveira decidiu olhar para o passado. No
- documentário “AmarElo – É Tudo pra Ontem”, o músico conhecido como Emicida, com muita
- música e poesia ▲ compõe uma história que mostra como os negros construíram a cultura
- brasileira. O longa aproveita o show que o cantor fez no Theatro Municipal de São Paulo e utiliza
- músicas como Principia, Pantera Negra, Ismália e a própria AmarElo, como costura para
- apresentar ao público o real valor de nomes como o ativista Abdias do Nascimento, a atriz Ruth
- de Souza, o escritor Oswald de Andrade, a sambista Leci Brandão e a vereadora Marielle Franco.
- Na preparação para o show, Emicida ressaltou que boa parte do público estava entrando no
- principal teatro de São Paulo de maneira inédita: "Minha avó, de 80 anos, vai lá pela primeira
- vez. Vários daqueles moleques e meninas que vão nunca pisaram no Municipal. Por isso, é
- importante cravar esse lugar físico.", disse no documentário. “AmarElo” chegou ___ ser pensado
- como um longa a ser lançado nos cinemas, mas os planos mudaram ● e não só por causa do
- novo coronavírus. "Se a gente tivesse negociado para o cinema, não ia ter esse alcance de 190
- países", conta Emicida. "___ pessoas até entendem a cultura do Brasil, mas não compreendem
- a origem dessa cultura, a participação dos pretos em todo o processo. Então, a gente está dando
- esse presente para elas."
- A pandemia também forçou a equipe de “AmarElo” a trabalhar de maneira diferente, pois o
- documentário foi editado e montado remotamente. "Tinha semana que a gente ficava até meianoite
- ou 1h no Zoom discutindo alguma coisa do filme para, no dia seguinte, fazer tudo de novo.
- Foi tipo trocar a roda de um carro, mas com o veículo em movimento, no meio de uma pandemia
- e desviando de zumbis (risos)" ◆ define o diretor Fred Ouro Preto ___ reportagem. Adiar o
- lançamento do longa, porém, nunca passou pela cabeça da equipe. "Era muito importante soltar
- esse filme na Netflix ainda neste ano, por tudo o que ele representa", justifica Ouro Preto. "O
- “AmarElo” não existe por acaso. Eu compartilho coisas boas porque sei que as pessoas vão sair
- desse filme buscando soluções e não problemas. Optar pela positividade é um bálsamo em um
- ano tão difícil", completa Emicida.
- "Por mais angustiante que seja a nossa situação atual, as pessoas retratadas [no longa]
- enfrentaram um país muito pior do que o nosso. O sol vai nascer de novo e nós vamos ter outro
- dia. Se a vida é gigante, por que nós vamos ser pequenos?", filosofa o rapper.
(Disponível em: https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/filmes-na-tv/com-documentario-na-netflix-emicida-da-aula-de-historia-em-forma-de-poesia-47442– texto adaptado especialmente para esta prova).