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Texto para as questões de 1 a 9.
1Muito provavelmente, a crônica, se não é o
gênero literário mais apreciado, é o mais lido do Brasil.
Ela tem, sobre os outros, a vantagem de se apresentar
4 normalmente em jornais e revistas, o que aumenta
enormemente seu público potencial. Outro ponto
que conta a favor da crônica, considerando-se o
7 público leitor em geral, é que ela é uma composição
curta, uma vez que o espaço no jornal e na revista é
sempre muito definido.
10 Mas essas mesmas características podem pesar
contra a crônica: em princípio, ela é tão descartável
quanto o jornal de ontem e a revista de semana
13 passada, seja pela própria contingência de aparecer
nesses veículos, seja pelo fato de, na maioria dos casos,
correr o risco de não se constituir como página
16 literária. Vira “produto altamente perecível”, e
realmente desaparece, a não ser em casos especiais:
um fã ardoroso, que coleciona tudo do autor; um
19 assunto palpitante para o leitor, que recorta e guarda
o texto com cuidado; o arquivo do periódico...
Se o autor tem lastro literário e é reconhecido
22 como escritor, crônicas suas, consideradas mais
significativas, pelo assunto e pela qualidade estética,
são selecionadas para virar livro.
25 Digamos, ainda, que muitos consideram este
um gênero literário tipicamente brasileiro, pelo
menos com as características que assumiu hoje. Mas
28 a crônica cumpriu uma longa trajetória até chegar ao
que é, nos dias de hoje, no Brasil.
Inicialmente, na Idade Média e no
31 Renascimento, o substantivo “crônica” designava um
texto de História, que registrava fatos de determinado
momento da vida do povo, em geral com o nome de
34 seu governante, rei ou imperador. (Afinal, sabemos
que a História, sobretudo a mais antiga, narrava os
fatos do ponto de vista do vencedor.) E — claro! —
37 essas crônicas não apareciam em jornais nem em
revistas: contavam basicamente com os escrivães dos
governantes.
40 No Brasil, a crônica nos periódicos veio
importada da França, ainda em meados do século XIX.
E acredite: a crônica era sisuda nesse tempo. Como
43 página séria, pequeno ensaio sobre temas políticos,
críticas sociais, reflexões, durou muito tempo, embora,
aqui e ali, aparecesse algum traço embrião do(s)
46 estilo(s) da crônica atual.
É a partir da metade do século XX que o gênero
adquire, definitivamente, uma identidade brasileira,
49 com o uso “mais nacional” da língua portuguesa, e
possibilitando liberdade quase absoluta, qualquer
recorte que desejar dar-lhe seu autor.
52 De fato, observados os limites impostos pelo
suporte no qual aparece, a crônica torna-se um
gênero em que cabe tudo — inclusive outros gêneros.
55 Nela cabem também todas as abordagens, todos os
tons, do lírico ou dramático ao mais refinado humor
ou escancarado deboche.
58 Daí, talvez, o encantamento do leitor pela
crônica: dificilmente ele não encontrará, no gênero, a
forma e o tom literários que prefere.
Antonieta Cunha. A crônica. In: Affonso Romano de Sant’Anna. Crônicas para jovens. Global Editora, 2015 (com adaptações).
No texto, o vocábulo “ardoroso” (linha 18) está empregado como
advérbio de modo.
substantivo.
adjetivo.
verbo.
advérbio de intensidade.