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Considerando o fragmento adaptado do texto “A reforma gerou...

Uma das fantasias ambiciosas de minha família era colocar lajes no pátio


Por Fabrício Carpinejar


01 Quando iniciamos uma reforma, não pre_ervamos o que já temos, não valorizamos o que

02 já existe, não destacamos o que é natural. O ímpeto é mudar tudo.

03 Há grandes chances de o complemento se mostrar postiço, negando as características do

04 próprio patrimônio.

05 Não percebemos o luxo daquilo que é de graça: a mata, os pássaros, a luminosidade, a

06 brisa.

07 Uma das fantasias ambiciosas de minha família era colocar lajes no pátio, deixar o quintal

08 inteiro ladrilhado.

09 Nossos cachorros e_traviariam eternamente seus ossos enterrados.

10 Imaginávamos um amplo espaço para mesas de pedra e cadeiras fixas, direcionadas para

11 a chaminé da churrasqueira. Receberíamos amigos e parentes para festas de aniversário, não

12 mais convivendo com a de_agradável e intempestiva poeira debaixo dos chinelos.

13 Imaginávamos o fim do aquecedor, dos insetos nas pernas, do areião. Entraríamos com os

14 dois pés na civilização da pedra.

15 Trata-va-se de uma evolução social, um upgrade de classe, uma emancipação econômica,

16 como foi quando substituíram a casa de madeira por uma de alvenaria.

17 Diante dos vizinhos, só faltaria a água de uma piscina de fundo azulado.

18 A reforma curou os transtornos por seis meses, consumiu a poupança dos pais, provocou

19 discussões intermináveis sobre os fundos no orçamento, até que a paz voltou a reinar com o

20 cimento seco, com o adeus dos pedreiros.

21 Assim que ficou pronto, descobrimos um efeito colateral. Ninguém havia olhado para cima,

22 para as árvores. Ninguém havia perguntado para elas o que achavam do novo território gourmet.

23 Com cinco pés de jamelão na área externa, a beleza do piso não durou uma semana. Os

24 galhos bem-dotados do verão desabavam toneladas de frutas a tingir as lajes, apagando os

25 desenhos e curvas. Os móveis fixos acabavam inviáveis para a acomodação, pois os bagaços

26 machucavam os cupins dos mais incautos.

27 Não tinha como limpar. Não tinha como varrer. Toda manhã, a mãe iniciava conosco uma

28 cruzada com a mangueira, para derramar água sanitária pela sua extremidade e tentar remover,

29 armada de rodo e esfregão, as galhadas roxas de brilho intenso. Consumira galões de água

30 sanitária diariamente. Ela já pagava uma segunda reforma em paralelo, apenas com produtos

31 de limpeza.

32 De nada adiantava o esforço do mutirão, quarenta minutos depois o bosque repatriava o

33 seu domínio de cor e fúria.

34 O pão, antes tão frequentado com as cadeiras dobráveis de praia, repleto de interações

35 alegres na roda do chimarrão, tornou-se um quadrado abandonado, nosso elefante lilás.

36 Mal acompanhávamos, antes da construção, o quanto o sol drenava as frutas

37 descomplicadamente.

38 Perdemos a guerra para a natureza. De costas para ela, sempre perderemos.


(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2024/03/uma-das-fantasias-ambiciosasde-minha-familia-era-colocar-lajes-no-patio – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o fragmento adaptado do texto “A reforma gerou transtornos por seis meses”, analise as assertivas a seguir:


I. O predicado é classificado como verbal.

II. A expressão “por seis meses” é classificada como objeto indireto.

III. O termo “transtornos” é o complemento verbal do verbo “gerou”.


Quais estão corretas?


A

Apenas I.


B

Apenas II.


C

Apenas I e III.


D

Apenas II e III.


E

I, II e III.