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Leia o Texto 3 para responder às questões de 07 a 09.
Texto 3
Se as palavras tivessem sempre um sentido óbvio e único, não haveria literatura, não haveria mal-entendido e controvérsia. Se as palavras tivessem sempre o mesmo sentido e se indicassem diretamente as coisas nomeadas, como seria possível a mentira? É por isso que o poeta Fernando Pessoa, em versos famosos, escreveu:
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor,
A dor que deveras sente.
O poeta é um “finge-dor”, e seu fingimento — isto é, sua criação artística — é tão profundo e tão constitutivo de seu ser de porta, que ele finge — isto é, transforma em poema, em obra de arte — a dor que deveras ou de verdade sente.
CHAUI, M. Convite à Filosofia. 12. ed. São Paulo: Ática, 1999, p. 96-97.
Para se construir a coesão e a coerência de um texto argumentativo, são usadas estratégias linguísticas de conexão entre ideias. Os marcadores discursivos são exemplos de tais mecanismos. Considerando isso, poderíamos acrescentar um marcador discursivo antes do trecho “O poeta é um finge-dor”, de tal modo que a frase ficaria com sentido semelhante, conforme segue:
“Entretanto, o poeta é um finge-dor”.
“Não obstante, o poeta é um finge-dor”.
“Contudo, o poeta é um finge-dor”.
“Sendo assim, o poeta é um finge-dor”.