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Em uma conhecida passagem do romance Vidas secas, Graciliano Ramos retrata as dificuldades de seu personagem principal, Fabiano, para lidar com a linguagem dos homens: Vivia longe dos homens, só se dava bem com animais. Os seus pés duros quebravam espinhos e não sentiam a quentura da terra. Montado, confundia-se com o cavalo, grudava-se a ele. E falava uma linguagem cantada, monossilábica e gutural, que o companheiro entendia. A pé, não se aguentava bem. Pendia para um lado, para o outro, cambaio, torto e feio. Às vezes utilizava nas relações com as pessoas a mesma língua com que se dirigia aos brutos — exclamações, onomatopeias. Na verdade, falava pouco. Admirava as palavras compridas e difíceis da gente da cidade, tentava reproduzir alguma, em vão, mas sabia que elas eram inúteis e talvez perigosas.
(G. Ramos, 1947).
Graciliano Ramos fez parte do:
Modernismo Primeira fase
Modernismo Segunda fase.
Modernismo Terceira fase
Pós-Modernismo.