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Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 8.
A prisão de pensamentos
Nilson Lattari
O pensamento é uma forma de prisão. A afirmação pode parecer contundente, despropositada, oportunista. Ela pode ser tudo isso, e sim, ela pode ser tudo isso. Andar na contramão dos outros, pensar diferente em uma roda de amigos, ouvir conversas e aquela vontade de intervir, dizer que não é bem isso. Confessar que não se sabe muito sobre o assunto. Mas, seguramente, quando ouvir o que não faz nenhum sentido torna os nossos pensamentos grades onde nos confinamos.
É doce a liberdade de saber. Mas existe uma inveja em não saber nada, viver dos próprios pensamentos e conclusões e a partir do momento que perdemos tempo em nossas vidas para aprender, em vez de nos dar liberdade de entender o mundo, nos tornamos prisioneiros em buscar o sentido que o mundo deveria ter e não tem.
Entender o mundo é uma tentativa vã de causar um desentendimento dentro de nós mesmos. Este desentendimento se traduz quando nos sentimos deslocados e nos confinamos em uma bolha, achando que estamos livres, mas estamos presos dentro de nós mesmos.
O mundo, hoje, é aberto a qualquer tipo de pensamento, o livre pensar faz parte do princípio de liberdade dos povos. Depois de tantas lutas, e quando, finalmente, o mundo pode se comunicar por inteiro, nós nos perguntamos: o que fizemos da liberdade que conseguimos?
A liberdade é doce, mas precisamos, algumas vezes, fazer dieta. Torna-se muitas vezes perigoso demonstrar um pensamento que traz coerência para nós e deveria fazer sentido para muitos. Mas a coerência também perdeu a batalha e, assim como a liberdade, cada um tem a sua.
A prisão dos pensamentos só faz sentido para os prisioneiros. Há um isolamento espontâneo, procurado, porque, assim como no mito da caverna, é mais confortável acreditar nas sombras e aceitar o sentido que elas nos dão do que sair e encontrar a luz. A escuridão traz o conforto e o sono, a luz traz a obrigação de ver, sentir e sofrer com ela. A luz do sol nos traz calor e queimaduras, e nenhuma sombra para abrigar. Haverá coerência em sofrer para viver sob o sol?
A questão é que o prisioneiro faz perguntas para tentar sair da prisão, e os livres querem as respostas, desde que não precisem sair na luz do sol.
Fonte: https://ofolhademinas.com.br/materia/39368/coluna/a-prisaode-pensamentos.
Analise os parágrafos a seguir, identificados por números, em relação aos mecanismos de coesão textual. A seguir, assinale a alternativa que apresenta uma análise correta.
(1) O pensamento é uma forma de prisão. A afirmação pode parecer contundente, despropositada, oportunista. Ela pode ser tudo isso, e sim, ela pode ser tudo isso.
(2) A questão é que o prisioneiro faz perguntas para tentar sair da prisão, e os livres querem as respostas, desde que não precisem sair na luz do sol.
Em (2), “livres” é uma palavra de natureza adjetiva que faz referência a um grupo de pessoas identificado pela nominalização “o prisioneiro”, quando em situação de liberdade.
Em (1), a segunda ocorrência de “ela pode ser tudo isso”, após a expressão “e sim”, tem uso altamente irônico, sendo sinônima de “ela não pode ser nada disso”.
Em (1), o trecho “O pensamento é uma forma de prisão” é retomado no mesmo parágrafo por uma nominalização e, ainda no mesmo parágrafo, por uma pronominalização.
Em (1), “tudo isso”, nas duas ocorrências do mesmo parágrafo, substitui a nominalização “uma forma de prisão”.
Em (2), a forma verbal “precisem” remete ao agente “o prisioneiro” e é acompanhada por um elemento de negação e uma expressão condicional.