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Texto para as questões 01 a 05:
A dúvida metódica de Descartes: penso logo existo
A dúvida não é a ausência de conhecimento. É antes uma inquietação que quer ser apaziguada, como quando nos interrogamos se deixámos, ou não, a luz da casa ligada. Mas, para Descartes, não é esta dúvida mundana que interessa: toda a realidade pode ser uma grande dúvida, um sonho criado por um gênio maligno que não permite que acordemos. A existência, para este filósofo, apresenta-se como puro pensamento. Quando este desaparece, quando deixamos de duvidar e de pensar, deixamos de existir.
O problema posto por Descartes é sobre a capacidade humana de alcançar a verdade, não como um atributo divino, distante do comum mortal, mas como uma característica de toda a humanidade. Com esse objetivo, encontra uma forma metódica de aplicar a dúvida, que com base no processo matemático, torna possível ao homem distinguir o falso do verdadeiro. Só assim é possível obter o conhecimento de forma segura e fácil e chegar ao ponto mais alto a que se pode chegar: o domínio sobre o mundo e a sabedoria da vida. O filósofo apresenta quatro regras fundamentais e inequívocas para alcançar esse fim.
A primeira delas é a evidência, que consiste em jamais aceitar uma verdade se não a reconhecermos evidentemente como tal e se não tivermos qualquer possibilidade de a colocar em dúvida. A regra seguinte é a análise, ou seja, dividir cada um dos problemas que analisamos em problemas mais simples, retirando as partes supérfluas para melhor distinguir o que é falso e o que é verdade. A terceira regra se chama síntese, que nada mais é que utilizar um ato fundamental do espírito humano, a dedução, ordenando os pensamentos de forma a começar pelos mais simples e fáceis de conhecer, para pouco a pouco os elevar até aos conhecimentos mais complexos. Por fim, a última é a enumeração: fazer enumerações e revisões tão gerais até que se tenha certeza de não se omitir nada.
Mas encontrar um método que seja um guia seguro da investigação de todas as ciências, para Descartes, só é possível através de uma crítica radical de todo o saber. Duvidar de tudo e considerar tudo provisoriamente falso até se chegar a um princípio sólido sobre o qual já não seja possível a dúvida e que possa servir de fundamento a outros conhecimentos.
Então, eu que penso e que posso me enganar ou ser enganado ou mesmo duvidar da própria realidade, devo necessariamente ser qualquer coisa e não nada. Por isso “cogito, ergo sum” (penso, logo existo) é a única proposição absolutamente verdadeira porque a própria dúvida a confirma. Não posso afirmar nada sobre, por exemplo, um corpo onde eu exista, apenas existo como uma coisa que duvida, isto é: que pensa.
O “cogito” (penso) é uma relação do eu consigo mesmo, um princípio que tem como ponto de partida problematizar qualquer outra realidade e que ao mesmo tempo permite justificá-la. É este o princípio inabalável de Descartes, sobre o qual não se pode duvidar mais.
CAEIRO, António. Disponível em: https://ensina.rtp.pt/artigo/a-duvida-metodica-de-descartes-penso-logo-existo/ [adaptado]
Leia o fragmento que segue:
“Mas encontrar um método que seja um guia seguro da investigação de todas as ciências, para Descartes, só é possível através de uma crítica radical de todo o saber.”
Assinale a alternativa que apresenta a correta classe gramatical das palavras destacadas no excerto:
Conjunção — substantivo — substantivo — adjetivo.
Conjunção — substantivo — substantivo — advérbio.
Pronome — substantivo — substantivo — advérbio.
Pronome - adjetivo — substantivo — adjetivo.
Nenhuma das alternativas anteriores.