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Verifica-se, neste fragmento “Se vós supusésseis a...

TEXTO III


  1. Vera examina mais uma vez o quadro das conjugações, dessa vez com ar pensativo. Volta-se para Irene
  2. e diz: [...]
  3. — Esse quadro de conjugação do português padrão clássico é o que a gente aprende e ensina na
  4. escola...
  5. — Isso mesmo. O que tem ele? — pergunta Irene, interessada.
  6. [...]
  7. — É essa história de fazer os alunos decorarem as formas conjugadas de tu e vós — responde Vera. —
  8. Ninguém mais usa essas formas. Quando é que a gente ouve alguém falando “vós vos divertistes muito”?
  9. — Mais uma vez sua intuição está correta, Verinha — diz Irene.
  10. — Esse quadro de conjugação que as gramáticas tradicionais apresentam tem realmente alguns
  11. problemas para o ensino, justamente por estar muito distante da língua viva dos falantes do português
  12. brasileiro. O pronome tu, por exemplo, no Brasil, é usado em algumas regiões específicas, e raramente a forma
  13. verbal que o acompanha corresponde à das gramáticas e livros didáticos. O pronome vós, então, como você
  14. bem notou, é um verdadeiro dinossauro linguístico: está extinto na fala dos brasileiros há muito tempo...
  15. — E mesmo assim a gente tem que empurrar essas coisas pela goela abaixo dos alunos — queixa-se
  16. Emília. — Eu mesma me confundo toda com essa quantidade de s que aparece nos verbos de tu e de
  17. vós... Se vós supusésseis a dificuldade que tenho...
  18. Vera, Sílvia e Irene sorriem.


BAGNO, Marcos. A língua de Eulália: novela sociolinguística. 15ª ed. São Paulo: Contexto, 2006, p. 68-69.


O TEXTO III concerne às questões de 28 a 34.

Verifica-se, neste fragmento “Se vós supusésseis a dificuldade que tenho...” (l. 16 e 17), o uso de uma figura de pensamento, sendo este processo estilístico denominado:


A

apóstrofe.


B

paradoxo.


C

antítese.


D

ironia.