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Materiais educacionais devem refletir a diversidade étnico-cultural da comunidade escolar
Quando pensamos em uma educação diversa e significativa para crianças e adolescentes, um desafio é garantir que o material educacional reflita a diversidade étnico-cultural e as potencialidades do território onde a escola está localizada. As competências gerais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) explicitam a necessidade de valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos, assim como fruir e reconhecer o valor das diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais e também de participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural e valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais.
Segundo Luciana Marchi Franceschini, coordenadora de programas e projetos do Cenpec, o material educacional que não dialoga com a cultura e com o contexto em que o aluno está inserido tem poucas chances de favorecer a aprendizagem significativa. Livros didáticos, obras da literatura, jogos, material não estruturado e audiovisuais têm que estar alinhados à realidade sociocultural dos estudantes. “Mas ainda vemos a adoção de materiais descolados do contexto e o uso não qualificado pelo professor e pelo aluno”, diz.
Kelly Cristina dos Santos, mestra em Educação, coordenadora pedagógica de Educação Infantil e formadora de professores, salienta que um material descontextualizado pode acarretar desinteresse dos estudantes por não se reconhecerem no acervo. Ela chama isso de “pasteurização da aprendizagem”, já que a criança se relaciona com um material que não alarga a experiência da qual ela faz parte, mas traz como padrão uma outra população, geralmente branca.
“A escola tem um compromisso de ampliação do universo cultural. Não é preciso ficar restrito aos marcadores culturais do território, mas isso não pode ser excluído ou colocado sempre como segunda opção”, ressalta. “Os materiais precisam apresentar uma prevalência dos elementos que compõem a cultura local. Gradualmente, os professores podem apresentar outros elementos, de outras culturas”, pontua ela.
Fortalecendo o senso de pertencimento
Quando os saberes ancestrais e comunitários não estão na escola, onde as crianças e os adolescentes passam uma parte significativa do seu dia, a tendência é que eles se percam cada vez mais, o que já vem acontecendo.
Comunidades indígenas, quilombolas e caiçaras foram e continuam sendo historicamente violentadas em processos de luta por demarcação de territórios — que tendem a durar anos e nem sempre encontram um desfecho positivo para elas —, violência física, racismo e preconceitos de diversas ordens. Nesse contexto, uma violência bastante praticada é o epistemicídio. O termo foi criado por Boaventura de Sousa Santos, sociólogo e estudioso das epistemologias do sul global, para se referir à destruição de saberes, culturas e formas de conhecimento que não são assimiladas pela cultura ocidental. Luciana Franceschini afirma que valorizar os saberes dos estudantes e da comunidade ajuda a fortalecer o senso de pertencimento. Segundo ela, a escola precisa associar o saber local com o saber formal. “Quando isso acontece, o aluno reconhece no objeto do conhecimento o valor do seu povo. Às vezes, pode ser difícil, mas, para atender à diversidade brasileira, é preciso equilibrar os elementos do currículo nacional com as especificidades da cultura local.”
Adaptado de https://novaescola.org.br/conteudo/21968/materiais-educacionais-e-diversidade-etnico-cultural
No trecho “Nesse contexto, uma violência bastante praticada é o epistemicídio. O termo foi criado por Boaventura de Sousa Santos, sociólogo e estudioso das epistemologias do sul global, para se referir à destruição de saberes, culturas e formas de conhecimento que não são assimiladas pela cultura ocidental.”, predomina a função da linguagem denominada
poética.
fática.
metalinguagem.
conativa.
emotiva.