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Em "Uma imagem vale por mil palavras." (§4°), as aspas...

Texto 1 (questões de 1 a 8)


Uma das primeiras conquistas do homem, juntamente com o fogo e a roda, foi a palavra. Os três permitiram ao homem ultrapassar seus limites, graduar-se acima de sua irrelevância naquele cenário e avançar sobre as suas já duas pernas. A diferença é que o fogo e a roda deram ao homem apenas o domínio sobre um meio hostil. Foi a palavra que conferiu ao homem o que lhe faltava: o significado - o entendimento de sua presença no mundo.

Além disso, naqueles primórdios, o fogo e a roda se combinaram muitas vezes para destruir e matar. Já a palavra quase sempre trouxe a luz. Não quero dizer que a palavra fosse inocente - afinal, o primeiro instrumento da escrita pode ter sido um osso, não se sabe de quê ou de quem. A primeira tinta foi o sangue. E, como bem sabemos, nada como a palavra para disseminar o preconceito, a mentira e o ódio. Mas estamos falando de origens, não de fins.

Em pouco tempo, o fogo e a roda foram assimilados como se sempre tivessem existido. Mas a palavra, não. Ela continua a ser uma grande e permanente descoberta. Uma descoberta pessoal, exclusiva de quem está sendo ungido por ela, um Big Bang individual. Neste exato momento, em toda parte, existe alguém que está descobrindo a palavra e a fórmula secreta de que ela se compõe - a soma do símbolo, do som e do significado.

E as palavras são muitas. A palavra dita; a palavra escrita, a palavra impressa. A palavra exata ou a palavra mágica. A palavra aos gritos ou sussurrada; a palavra só pensada e nunca pronunciada; ou a palavra à força silenciada. Tudo é a palavra e a palavra é tudo. Às vezes ouvimos que "uma imagem vale por mil palavras." Mas, como desafiou Millôr Fernandes, tente dizer isso sem palavras.

CASTRO, Ruy. Discurso de posse. Disponível em: https://www.academia.org.br. Acesso em 19 jul. 2025 -Adaptado.

Em "Uma imagem vale por mil palavras." (§4°), as aspas duplas, originais do texto, foram usadas para:


A

indicar o uso da famosa ironia na fala de Millôr Fernandes.


B

marcar o uso frequente de uma expressão bem popular.


C

indicar citação literal de autor cujo nome não é enunciado.


D

atrair a atenção do leitor para o uso da modalidade padrão.


E

mostrar que o autor pensa como Millôr Fernandes.