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Em “Oração aos moços”, Rui Barbosa assim diz:
A regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam. Nesta desigualdade social, proporcionada à desigualdade natural, é que se acha a verdadeira lei da igualdade. O mais são desvarios da inveja, do orgulho, ou da loucura. Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real. Os apetites humanos conceberam inverter a norma universal da criação, pretendendo, não dar a cada um, na razão do que vale, mas atribuir o mesmo a todos, como se todos se equivalesssem.
Marque a única afirmação incorreta sobre o texto.
O prefixo “des-”, empregado em várias palavras (desigualmente, desiguais, desigualam, desigualdade), marca oposição e negação, reforçando contrastes essenciais sobre igualdade real vs. falsa.
Na frase “O mais são desvarios da inveja, do orgulho, ou da loucura”, há desvio da norma-padrão, pois o verbo “ser” não concorda com o sujeito “O mais”.
O advérbio “desigualmente” modaliza a ação de “quinhoar”, indicando como essa distribuição deve ocorrer: proporcionalmente às desigualdades, e não de modo uniforme.
A locução conjuntiva comparativa “como se” evidencia a irrealidade da igualdade total, reforçando a crítica do autor à pretensão humana de tratar desiguais como equivalentes.
Poder-se-ia reescrever o trecho “Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade” suprimindo-se a preposição “a” dos objetos diretos.