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O poema de Adélia Prado se assemelha a outro, “Poema de...

Texto 1

Com licença poética

Adélia Prado

Quando nasci um anjo esbelto,

desses que tocam trombeta, anunciou:

vai carregar bandeira.

Cargo muito pesado pra mulher,

5 esta espécie ainda envergonhada.

Aceito os subterfúgios que me cabem,

sem precisar mentir.

Não tão feia que não possa casar,

acho o Rio de Janeiro uma beleza e

10 ora sim, ora não, creio em parto sem dor.

Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.

Inauguro linhagens, fundo reinos

— dor não é amargura.

Minha tristeza não tem pedigree,

15 já a minha vontade de alegria,

sua raiz vai ao meu mil avô.

Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.

Mulher é desdobrável. Eu sou.

Prado, Adélia. Bagagem [recurso eletrônico]. Rio de Janeiro: Editora Record, 2025. p. 7.

O poema de Adélia Prado se assemelha a outro, “Poema de sete faces”, de Carlos Drummond de Andrade, que começa assim: “Quando nasci, um anjo torto/Desses que vivem na sombra/Disse: Vai, Carlos,/ser gauche na vida”


(Antologia poética, Editora Record, 2021, p. 14).


Nesse caso, o aproveitamento de um texto anterior na construção do atual é considerado


A

plágio


B

ironia


C

intencionalidade


D

coesão


E

intertextualidade