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Aquecimento além de 1,5 °C ameaça saúde, agricultura e economia
Por Rafael Cardoso
01 Desastres naturais, ondas de calor, secas históricas, chuvas intensas e perdas agrícolas
02 são alguns dos eventos e...tremos que se tornarão frequentes em um planeta mais quente do
03 que o esperado. A conclusão é de especialistas diante do anúncio das Nações Unidas de que o
04 planeta deve ultrapassar o limite de 1,5 °C de aquecimento nos próximos anos.
05 Para o diretor executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), André
06 Guimarães, a informação precisa ser tratada com a devida gravidade e provocar esforços
07 urgentes para mudar o cenário. “Hoje é um dia triste para a humanidade. Fomos derrotados por
08 nós mesmos”, lamenta André.
09 O especialista diz que a humanidade pode redesenhar o próprio futuro neste planeta.
10 “Temos que reduzir urgentemente a queima de combustíveis fósseis, acabar com a conversão
11 de florestas e mudar, de forma geral, nossa relação com a natureza”, complementa.
12 Em evento promovido pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS), a presidente do Comitê
13 Diretor do Sistema Global de Observação do Clima (GCOS), da Organização Meteorológica
14 Mundial (OMM), Thelma Krug, disse que a dimensão e a duração do aquecimento determinarão
15 o tamanho dos impactos sobre a sociedade e o meio ambiente. Quanto mais quente e mais
16 tempo o planeta permanecer acima do limite de 1,5 °C, maior será a necessidade de remoção
17 de dióxido de carbono da atmosfera e mais difícil será reverter o aquecimento.
18 A temperatura global, segundo Thelma Krug, já está cerca de 1,37 °C acima dos níveis
19 pré-industriais, com avanço aproximado de 0,26 °C por década. “Fazendo uma conta bem rápida,
20 teríamos três ou quatro anos para limitar o aquecimento, se continuarmos no ritmo atual de
21 emissões”, explicou Thelma.
22 O economista Sergio Margulis, especialista do Instituto Internacional para
23 Sustentabilidade (IIS) e professor da PUC-Rio, destaca os prejuízos econômicos do aumento das
24 temperaturas. Perdas em infraestrutura, agricultura, saúde e energia já representam 2% do PIB
25 global. Margulis indica que é preciso investir na transição energética agora, para não elevar ainda
26 mais esses prejuízos. “Hoje o mundo gasta uns 2 trilhões de dólares com descarbonização. Só
27 que a gente precisa aumentar esse patamar para 5 trilhões ou até um pouco mais. Não tem
28 como fugir disso”, analisa o economista.
29 Margulis também destaca que os governos precisarão ampliar os investimentos em
30 adaptação, porém, o mais urgente é reduzir o problema na fonte. “Adaptação não resolve o
31 problema físico do aquecimento global. Temos que parar com as emissões. Os países não podem
32 ficar esperando a reversão do clima para agir”, destacou.
33 O coordenador de política internacional do Observatório do Clima (OC), Claudio Angelo,
34 reforça que o relatório da ONU é um alerta para impedir que a ultrapassagem de 1,5 °C seja
35 ainda maior. “Abandonar o objetivo de devolver os termômetros a 1,5 °C não é uma opção; seria
36 assinar um pacto coletivo de suicídio. Mas o pico e o declínio não ocorrerão enquanto países
37 produtores de combustíveis fósseis olharem para essas indústrias como uma bene...e em vez de
38 uma maldição”, analisa Angelo. “É preciso parar já a e...pansão fóssil no mundo, e a COP31,
39 daqui a dois meses, é uma oportunidade de tomar essa decisão”, finaliza.
(Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/meio-ambiente/noticia/2026-09/aquecimento-alem-de-15degc-ameaca-saude-agricultura-e-economia – texto adaptado especialmente para esta prova).
Considerando as características linguísticas e comunicativas do trecho retirado do texto “Hoje o mundo gasta uns 2 trilhões de dólares com descarbonização. Só que a gente precisa aumentar esse patamar para 5 trilhões ou até um pouco mais. Não tem como fugir disso”, evidencia-se:
A utilização de uma variedade linguística marcada pela informalidade, inadequada ao contexto especializado da situação comunicativa.
O emprego de uma linguagem mais formal, decorrente do caráter especializado do assunto e da posição profissional do falante.
O uso de uma linguagem predominantemente técnica, esperada em uma situação comunicativa voltada à discussão de questões econômicas.
A presença de marcas de oralidade, próprias de uma situação comunicativa em que o falante se expressa de maneira espontânea.