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Em ‘um maneirista da própria sombra’ (l.5) e ‘chegou lá’...

1 Eu não gosto de ninguém, ele quase respondeu,

refreando-se a tempo; faz sentido, ele mesmo concluía — é o

pior momento da minha vida, sem a mulher, sem o filho, sem

4 dinheiro, e desgraçadamente sem literatura. Uma letra de tango.

Ou “um maneirista da própria sombra”, como escreveu Eusébio

de Mattos no Suplemento de Arte, demolindo-o até a última

7 linha com o sadismo certeiro dos grandes críticos. Para um país

sem crítica, aquele texto chegava a ser uma boa surpresa, ainda

que deixasse entrever mais o prazer do ataque que o lamento

10 sincero de um estudioso honesto, o tsc tsc tsc diante de um

escritor que nunca “chegou lá” na corrida de cavalos letrados

do panorama nacional — e Donetti sentiu a respiração opressa

13 pelo rancor. O célebre homem brasileiro cordial é cordial não

porque seja polido, o que ele nunca foi, mas porque nada nunca

passa pelo cérebro antes de chegar à vida — é só um coração

16 batendo forte no meio da rua, que é o seu lugar.


Cristovão Tezza. Um erro emocional. Rio de Janeiro: Record, 2010, p. 91 (com adaptações).


Em relação às ideias e a aspectos gramaticais do texto acima, julgue os itens a seguir.

Em ‘um maneirista da própria sombra’ (l.5) e ‘chegou lá’ (l.11), as aspas são empregadas com a função de realçar ironicamente as expressões.


C

Certo


E

Errado