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Questões de Concurso sobre Tendências contemporâneas

 
 
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Leia abaixo os excertos 1 e 2 e, em seguida, as asserções I, II e III. Por fim, assinale a alternativa CORRETA.


1. “Não ousou endireitar-se mais porque sabia que apenas deveria largar o trabalho quando ouvisse a ordem traduzida num berro.” (“Dina”, Luís Bernardo Honwana).

2. “Então, no início da rua, você viu uma viatura com sirenes tocando, e àquela altura da sua vida, aos catorze anos, você já havia aprendido que aquela visão era um problema, não que você tivesse consciência de que a polícia te abordava porque você era negro, mas sua experiência já te dizia para se manter longe das viaturas.” (O avesso da pele, Jeferson Tenório).


I. Em Moçambique ou no Brasil, no passado ou no presente, a população negra, jovem ou idosa, deve se portar de determinada maneira a fim de “minimizar” os efeitos do racismo e da dominação.

II. Em Moçambique ou no Brasil, no passado ou no presente, o racismo e a submissão social acontecem a despeito do comportamento da população negra.

III. Mulheres negras que se submetem às violentas imposições dos dominadores racistas são poupadas e acabam por ter alguns privilégios.


A

Apenas I e III são verdadeiras.


B

I, II e III são verdadeiras.


C

Apenas I é falsa.


D

Apenas I e II são verdadeiras.


E

Apenas II é verdadeira.

Releia: “Já o coleguinha Jacinto de Thormes, no mesmo dia, na mesma UH e talvez escrevendo à mesma hora, dizia: ‘O sr. Vinicius de Moraes está fazendo uma temporada de repouso na Clínica São Vicente’.” (8º§) Percebe-se que há uma repetição dos termos “mesmo” e “mesma”. O autor optou por esta configuração com o seguinte propósito:


A

Destacar a exímia e clara escrita de Jacinto de Thormes.


B

Enfatizar a multiplicidade artística de Vinicius de Moraes.


C

Demonstrar o marcante estilo cômico do autor da crônica.


D

A repetição é aleatória, pois a crônica permite tal artifício.

A literatura brasileira é frequentemente dividida em períodos que refletem as mudanças estilísticas, temáticas e sociais ao longo da história do Brasil.


(Disponível em: https://curtlink.com/npZz3. Adaptado)


Alguns dos períodos de nossa literatura, em ordem cronológica, são:


A

Simbolismo - Parnasianismo - Pré-Modernismo - Modernismo - Pós-Modernismo - Contemporaneidade.


B

Simbolismo - Parnasianismo - Pré-Modernismo - Modernismo - Pós-Modernismo - Pós-Contemporaneidade.


C

Arcadismo - Período Colonial - Romantismo - Realismo - Simbolismo.


D

Período Colonial - Arcadismo - Romantismo - Realismo - Simbolismo.

Tendo em vista o romance O avesso da pele, avalie as asserções de I a IV, em seguida, assinale a alternativa CORRETA.


I. Juliana e Martha, assim como Henrique, lidam com o racismo de modo consciente e combativo, sem jamais deixar de perder a ternura.

II. A tomada de consciência em relação ao racismo é um processo que acontece de maneira semelhante para Henrique e Martha, às vezes com culpa, às vezes com júbilo.

III. Martha, apesar de sofrer as consequências do racismo e do machismo, não se sente uma vítima e, por isso, não assume uma postura combativa contra isso.

IV. No romance, um processo que afeta todas as personagens, mas de maneiras diferentes e nem sempre no mesmo grau, é a conscientização sobre o racismo.


A

Todas são verdadeiras.


B

Apenas I e IV são verdadeiras.


C

Apenas III e IV são verdadeiras.


D

Apenas II e III são verdadeiras.


E

Todas são falsas.

O movimento do passinho é uma expressão artístico-cultural que


A

assimila estilos específicos só de danças nacionais.


B

destaca do centro urbano o jovem periférico.


C

limita a integração da diversidade de gêneros.


D

promove o protagonismo do jovem periférico.


E

rompe com a cultura urbana e a dança de rua.

No que tange à literatura infantil, assinale a alternativa que apresenta o nome do(a) autor(a) da obra “Bisa, Bia, Bisa Bel”:


A

Ana Maria Machado.


B

Olga Danoso.


C

Marina Colasanti.


D

Verônica Berger.


E

Faustina Soares.

[...]

E Cordulina, botando a vergonha de lado, com o Duquinha no quadril – que as privações tinham desensinado de andar, e agora mal engatinhava – dirigia-se às casas, pedindo um leitinho para dar ao filho, um restinho de farinha ou de goma pra fazer uma papa...

A pobre da burra, que vinham sustentando Deus sabe como, com casca de pau e sabugos de monturo, foi emagrecendo, descarnando, até ficar uma dura armação de ossos, envolvida num couro sujo, esburacado de vermelho.

Chico Bento julgou melhor trocá-la por qualquer cinco mil réis, do que ser forçado a abandoná-la por aí, meio morta, em algum pedaço de caminho.


(QUEIROZ, Rachel de. O Quinze. 33. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1984. Fragmento.)


Escritores como Rachel de Queiroz optaram por retratar as misérias humanas, principalmente, no sertão do Nordeste, conforme observado no fragmento anterior. O referido grupo pode ser reconhecido como autores pertencentes à:


A

Geração pós-moderna.


B

Literatura contemporânea.


C

1ª Geração do Modernismo Brasileiro.


D

2ª Geração do Modernismo Brasileiro.

“O paisagista pinta tranquilo porque a paisagem defronte não se pode aproximar do quadro para ver se está parecida” (Ramón Gómez de La Serna). O conceito de boa pintura que essa frase revela está presente em:

A
Imagem associada para resolução da questão

B
Imagem associada para resolução da questão

C
Imagem associada para resolução da questão

D
Imagem associada para resolução da questão

E
Imagem associada para resolução da questão

As características que melhor definem a poesia brasileira contemporânea são:


A

a defesa do engajamento político e a valorização da identidade nacional.


B

o retorno ao subjetivismo romântico e a negação da liberdade formal.


C

a reafirmação dos valores neoclássicos e a mitificação da experiência pessoal.


D

a ligação estreita com o concretismo e a desvalorização do cotidiano e do comum.


E

a dispersão temática e a convivência com a fragmentação e a multiplicidade.

“A própria ideia de livro e literatura perde parte de seu sentido quando nos deparamos com novas estratégias narrativas em bases digitais, que atuam na confluência de várias artes e mídias. O aspecto inovador não está restrito apenas à tecnologia de leitura dos tablets, nos chamados >ita<enhanced books ou enriched books (livros enriquecidos ou turbinados), mas também às maneiras de narrar”.


(http://blogs.oglobo.globo.com/prosa/post/artigo-por-uma-ideia-de-literatura-expandida-387143.html)


De acordo com a ideia defendida pela pesquisadora Cristiane Costa no texto acima, pode-se afirmar que na contemporaneidade:


A

os postulados canônicos que moldaram o gosto literário deixam de existir.


B

as noções clássicas de livro e de literatura não podem mais ser utilizadas.


C

as tecnologias alteram simultaneamente a recepção e a produção do texto literário.


D

as novas mídias retiram da literatura a sua aura de transcendência.


E

a literatura perdeu a importância que tinha na tradição cultural do Ocidente.

A característica que marca o gênero literário predominante no texto 4 é:


A

a valorização do narrador de primeira pessoa.


B

a presença do eu-lírico.


C

o conflito entre os personagens.


D

a exaltação da figura do herói.


E

a utilização das rubricas.

Primeiro surgiu o homem nu de cabeça baixa. Deus veio num raio. Então apareceram os bichos que comiam os homens. E se fez o fogo, as especiarias, a roupa, a espada e o dever. Em seguida se criou a filosofia, que explicava como não fazer o que não devia ser feito. Então surgiram os números racionais e a História, organizando os eventos sem sentido. A fome desde sempre, das coisas e das pessoas. Foram inventados o calmante e o estimulante. E alguém apagou a luz. E cada um se vira como pode, arrancando as cascas das feridas que alcança.


BONASSI, F. 15 cenas do descobrimento de Brasis. In: MORICONI, Í. (Org.). Os cem melhores contos do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.


A narrativa enxuta e dinâmica de Fernando Bonassi configura um painel evolutivo da história da humanidade. Nele, a projeção do olhar contemporâneo manifesta uma percepção que


A

recorre à tradição bíblica como fonte de inspiração para a humanidade.


B

desconstrói o discurso da filosofia a fim de questionar o conceito de dever.


C

resgata a metodologia da história para denunciar as atitudes irracionais.


D

transita entre o humor e a ironia para celebrar o caos da vida cotidiana.


E

satiriza a matemática e a medicina para desmistificar o saber científico.

Na exposição “A Artista Está Presente”, no MoMA, em Nova Iorque, a performer Marina Abramovic fez uma retrospectiva de sua carreira. No meio desta, protagonizou uma performance marcante. Em 2010, de 14 de março a 31 de maio, seis dias por semana, num total de 736 horas, ela repetia a mesma postura. Sentada numa sala, recebia os visitantes, um a um, e trocava com cada um deles um longo olhar sem palavras. Ao redor, o público assistia a essas cenas recorrentes.


ZANIN, L. Marina Abramovic, ou a força do olhar. Disponível em: http://blogs.estadao.com.br. Acesso em: 4 nov. 2013.


O texto apresenta uma obra da artista Marina Abramovic, cuja performance se alinha a tendências contemporâneas e se caracteriza pela


A

inovação de uma proposta de arte relacional que adentra um museu.


B

abordagem educacional estabelecida na relação da artista com o público.


C

redistribuição do espaço do museu, que integra diversas linguagens artísticas.


D

negociação colaborativa de sentidos entre a artista e a pessoa com quem interage.


E

aproximação entre artista e público, o que rompe com a elitização dessa forma de arte.

TEXTO I


Imagem associada para resolução da questão


FREUD, L. Francis Wyndham. Óleo sobre tela, 64 x 52 cm. Coleção pessoal, 1993.


TEXTO II


Lucian Freud é, como ele próprio gosta de relembrar às pessoas, um biólogo. Mais propriamente, tem querido registrar verdades muito específicas sobre como é tomar posse deste determinado corpo nesta situação particular, neste específico espaço de tempo.


SMEE, S. Freud. Köln: Taschen, 2010.


Considerando a intencionalidade do artista, mencionada no Texto II, e a ruptura da arte no século XX com o parâmetro acadêmico, a obra apresentada trata do(a)


A

exaltação da figura masculina.


B

descrição precisa e idealizada da forma.


C

arranjo simétrico e proporcional dos elementos.


D

representação do padrão do belo contemporâneo.


E

fidelidade à forma realista isenta do ideal de perfeição.

Tudo era harmonioso, sólido, verdadeiro. No princípio. As mulheres, principalmente as mortas do álbum, eram maravilhosas. Os homens, mais maravilhosos ainda, ah, difícil encontrar família mais perfeita. A nossa família, dizia a bela voz de contralto da minha avó. Na nossa família, frisava, lançando em redor olhares complacentes, lamentando os que não faziam parte do nosso clã. [...]

Quando Margarida resolveu contar os podres todos que sabia naquela noite negra da rebelião, fiquei furiosa. [...]

É mentira, é mentira!, gritei tapando os ouvidos. Mas Margarida seguia em frente: tio Maximiliano se casou com a inglesa de cachos só por causa do dinheiro, não passava de um pilantra, a loirinha feiosa era riquíssima. Tia Consuelo? Ora, tia Consuelo chorava porque sentia falta de homem, ela queria homem e não Deus, ou o convento ou o sanatório. O dote era tão bom que o convento abriu-lhe as portas com loucura e tudo. “E tem mais coisas ainda, minha queridinha”, anunciou Margarida fazendo um agrado no meu queixo. Reagi com violência: uma agregada, uma cria e, ainda por cima, mestiça. Como ousava desmoralizar meus heróis?

TELLES, L. F. A estrutura da bolha de sabão. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.


Representante da ficção contemporânea, a prosa de Lygia Fagundes Telles configura e desconstrói modelos sociais. No trecho, a percepção do núcleo familiar descortina um(a)


A

convivência frágil ligando pessoas financeiramente dependentes.


B

tensa hierarquia familiar equilibrada graças à presença da matriarca.


C

pacto de atitudes e valores mantidos à custa de ocultações e hipocrisias.


D

tradicional conflito de gerações protagonizado pela narradora e seus tios.


E

velada discriminação racial refletida na procura de casamentos com europeus.

À garrafa


Contigo adquiro a astúcia

de conter e de conter-me.

Teu estreito gargalo

é uma lição de angústia.


Por translúcida pões

o dentro fora e o fora dentro

para que a forma se cumpra

e o espaço ressoe.


Até que, farta da constante

prisão da forma, saltes

da mão para o chão

e te estilhaces, suicida,


numa explosão

de diamantes.



PAES, J. P. Prosas seguidas de odes mínimas. São Paulo: Cia. das Letras, 1992.


A reflexão acerca do fazer poético é um dos mais marcantes atributos da produção literária contemporânea, que, no poema de José Paulo Paes, se expressa por um(a)


A

reconhecimento, pelo eu lírico, de suas limitações no processo criativo, manifesto na expressão “Por translúcida pões”.


B

subserviência aos princípios do rigor formal e dos cuidados com a precisão metafórica, como se observa em “prisão da forma”.


C

visão progressivamente pessimista, em face da impossibilidade da criação poética, conforme expressa o verso “e te estilhaces, suicida”.


D

processo de contenção, amadurecimento e transformação da palavra, representado pelos versos “numa explosão / de diamantes”.


E

necessidade premente de libertação da prisão representada pela poesia, simbolicamente comparada à “garrafa” a ser “estilhaçada”.

Casa dos Contos


& em cada conto te cont

o & em cada enquanto me enca

nto & em cada arco te a

barco & em cada porta m

e perco & em cada lanço t

e alcanço & em cada escad

a me escapo & em cada pe

dra te prendo & em cada g

rade me escravo & em ca

da sótão te sonho & em cada

esconso me affonso & em

cada claúdio te canto & e

m cada fosso me enforco &


ÁVILA, A. Discurso da difamação do poeta. São Paulo: Summus, 1978.


O contexto histórico e literário do período barroco-árcade fundamenta o poema Casa dos Contos, de 1975. A restauração de elementos daquele contexto por uma poética contemporânea revela que


A

a disposição visual do poema reflete sua dimensão plástica, que prevalece sobre a observação da realidade social.


B

a reflexão do eu lírico privilegia a memória e resgata, em fragmentos, fatos e personalidades da Inconfidência Mineira.


C

a palavra “esconso” (escondido) demonstra o desencanto do poeta com a utopia e sua opção por uma linguagem erudita.


D

o eu lírico pretende revitalizar os contrastes barrocos, gerando uma continuidade de procedimentos estéticos e literários.


E

o eu lírico recria, em seu momento histórico, numa linguagem de ruptura, o ambiente de opressão vivido pelos inconfidentes.

O "contágio das vanguardas européias", de que fala o texto, não se sustenta historicamente: os anos vinte, no Velho Mundo, não abriram espaço à experimentação e ao vanguardismo; os efeitos da Grande Guerra (1914-1918) abalaram de tal modo a Europa da belle époque que foi preciso muito mais que uma década para que as manifestações culturais, inclusive a literatura, encontrassem ambiente propício à renovação transgressora.


C

Certo


E

Errado

 
 
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