Questões de Concurso sobre Pré-Modernismo

 
 
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Assinale a alternativa que apresenta a relação INCORRETA entre o autor e o período literário ao qual ele é, predominantemente, associado.


A

Castro Alves – Romantismo.


B

Lima Barreto – Pré-Modernismo.


C

Gregório de Matos – Arcadismo.


D

Cruz e Souza – Simbolismo.


E

Mário de Andrade – Modernismo.

A literatura brasileira produzida na virada do século XIX para o XX recebeu a designação genérica e imprecisa de pré-modernista. Dentre as diversas manifestações da literatura da época, no contexto das transformações da cidade do Rio de Janeiro, merece atenção a produção de autores que, como Lima Barreto e Julia Lopes de Almeida, representaram a força literária


A

da nostalgia simbolista.


B

de tradições formalistas.


C

dos discursos científicos.


D

das realidades cotidianas.


E

do pessimismo decadentista.

Em termos de estilos de época, o trecho de Rachel de Queiroz pertence


A

à primeira geração do Modernismo.


B

à terceira geração do Romantismo.


C

à segunda geração do Modernismo.


D

ao Realismo em sua fase regionalista.

Relacione as colunas referentes autores/escolas literárias e marque a alternativa correta.


Coluna I.

A) Gregório de Matos Guerra.

B) Tomás Antônio Gonzaga.

C) Gonçalves Dias.

D) Machado de Assis.

E) Aluísio Azevedo.

F) Olavo Bilac.

G) Monteiro Lobato.

H) Cruz e Sousa.

I) Guimarães Rosa.


Coluna II.

1- Naturalismo.

2- Arcadismo.

3- Pré-modernismo.

4- Modernismo.

5- Romantismo.

6-Simbolismo.

7- Parnasianismo.

8- Realismo.

9- Barroco.


A

A (1) – B (3) – C (5) – D (7) – E (8) – F (6) – G (4) – H (2) – I (9).


B

A (3) – B (1) – C (7) – D (5) – E (8) – F (6) – G (4) – H (2) – I (9).


C

A (9) – B (2) – C (5) – D (1) – E (8) – F (7) – G (3) – H (6) – I (4).


D

A (2) – B (4) – C (6) – D (9) – E (7) – F (5) – G (1) – H (3) – I (8).


E

A (9) – B (2) – C (5) – D (8) – E (1) – F (7) – G (3) – H (6) – I (4).

Leia o poema abaixo de João Cabral de Melo Neto para responder a questão 26.


A educação pela pedra


Uma educação pela pedra: por lições;

para aprender da pedra, frequentá-la;

captar sua voz inenfática, impessoal

(pela de dicção ela começa as aulas).

A lição de moral, sua resistência fria

ao que flui e a fluir, a ser maleada;

a de poética, sua carnadura concreta;

a de economia, seu adensar-se compacta:

lições da pedra (de fora para dentro,

cartilha muda), para quem soletrá-la.


Outra educação pela pedra: no Sertão

(de dentro para fora, e pré-didática).

No Sertão a pedra não sabe lecionar,

e se lecionasse, não ensinaria nada;

lá não se aprende a pedra: lá a pedra,

uma pedra de nascença, entranha a alma.


João Cabral de Melo Neto


Analise as proposições abaixo colocando ( V ) para o que for verdadeiro e ( F ) para o que for falso.


( ) João Cabral de Melo Neto faz parte da chamada geração de 45 do modernismo brasileiro.

( ) João Cabral de Melo Neto rejeitava a forma modernista de escrever, sendo contra as estrofes e versos livres, parodia, poema-piada, entre outros aspectos. Os poemas de João Cabral são milimetricamente pensados.

( ) O poema que dá nome ao livro “A educação pela pedra”, logo na primeira estrofe relaciona a escrita com a pedra que é a ausência da condensação, ênfase e concretude da pedra.

( ) Na segunda estrofe a pedra é movida para o sertão, para a alma do sertanejo, e se mantém pétrea, mostrando que seus versos não irão expor seus sentimentos mais íntimos, apenas a objetividade.

( ) A pedra nos remete à aridez humana e geográfica do Nordeste e é símbolo constante na obra do autor, fazendo confluir a temática social (linguagem-objeto) com a reflexão sobre o fazer poético no próprio texto artístico (metalinguagem).


A sequência correta de cima para baixo é:


A

V – V – V – V - V


B

F – V – V – F – V


C

F – F – F – F – F


D

V – V – V – F – V


E

F – F – V – V – V

O texto IV rompe com o ideário romântico ao propor uma literatura destituída de sonhos e fantasias. Esse poema, de Augusto dos Anjos, é comumente associado ao:


A

Barroco


B

Parnasianismo


C

Pré-Modernismo


D

Pós-Modernismo

A literatura brasileira é frequentemente dividida em períodos que refletem as mudanças estilísticas, temáticas e sociais ao longo da história do Brasil.


(Disponível em: https://curtlink.com/npZz3. Adaptado)


Alguns dos períodos de nossa literatura, em ordem cronológica, são:


A

Simbolismo - Parnasianismo - Pré-Modernismo - Modernismo - Pós-Modernismo - Contemporaneidade.


B

Simbolismo - Parnasianismo - Pré-Modernismo - Modernismo - Pós-Modernismo - Pós-Contemporaneidade.


C

Arcadismo - Período Colonial - Romantismo - Realismo - Simbolismo.


D

Período Colonial - Arcadismo - Romantismo - Realismo - Simbolismo.

A literatura produzida no Brasil é um patrimônio cultural, uma manifestação genuína do povo brasileiro. Sua força é sentida além do mundo lusófono, com a potência artística representativa de nossa identidade. Sobre a periodização literária no Brasil, assinale a afirmativa correta.


A

Na poesia, o Cubismo é perceptível pela simplicidade, por uma sintaxe orientada pelo sentido e não pela gramática.


B

A primeira referência à literatura brasileira registra-se no ensaio “Bosquejo da história da poesia e língua portuguesa”, como introdução da antologia Parnaso Brasileiro, de Almeida Garret.


C

Contrapondo-se aos exageros emotivos do Romantismo, o Realismo é um estilo que se manifesta nas produções artísticas a partir de meados do século XIX. Na Literatura, há a predominância da narração em terceira pessoa, a objetividade e a busca pela descrição o mais fiel possível da realidade.


D

O Pré-Modernismo é um período de transição, marcado, dentre outros aspectos, pela busca dos valores tradicionais, linguagem coloquial, regionalismo e valorização dos problemas sociais. Os principais representantes foram: Mário de Andrade; Oswald de Andrade; Cassiano Ricardo; e, Manuel Bandeira.

Relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando o grupo de características aos movimentos literários correspondentes.


Coluna 1


1. Arcadismo.

2. Pré-modernismo.

3. Modernismo.


Coluna 2


( ) Período marcado por uma concepção inteiramente libertária da criação artística, pela valorização do cotidiano, com a incorporação do prosaico, do grotesco, do diário e do vulgar como temas da arte literária. Buscou-se o emprego da linguagem coloquial, misturando-a a termos da linguagem culta.

( ) Período eclético no qual chocam-se várias correntes e estilos, indefinidos entre o academicismo e a inovação. Período marcado tanto pela presença de resquícios culturais do século XIX como pela busca de novas formas de expressão e pelo desejo de uma redescoberta crítica do Brasil.

( ) Arte ligada ao Iluminismo e ao Racionalismo. Para os escritores do período, a razão equivale à verdade e à simplicidade que deve ser buscada através dos clássicos e da imitação da natureza campestre.


A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:


A

2 – 3 – 1.


B

3 – 1 – 2.


C

2 – 1 – 3.


D

3 – 2 – 1.


E

1 – 2 – 3.

O modernismo no Brasil foi um movimento artístico, cultural e literário que se caracterizou pela liberdade estética, o nacionalismo e a crítica social.

O modernismo no Brasil pode ser dividido em três fases, também chamadas de gerações.


Assinale a alternativa que apresenta essas fases de maneira adequada:


A

1ª fase: renovação estética, radicalismo; 2ª fase: temáticas romantistas; 3ª fase: inovações linguísticas e experimentações artísticas.


B

1ª fase: renovação estética, radicalismo; 2ª fase: temáticas nacionalistas; 3ª fase: inovações linguísticas e experimentações artísticas.


C

1ª fase: retorno a estética do barroco; 2ª fase: temáticas nacionalistas; 3ª fase: inovações linguísticas e experimentações artísticas.


D

1ª fase: renovação estética, arcadismo; 2ª fase: temáticas nacionalistas; 3ª fase: inovações linguísticas e experimentações artísticas.


E

1ª fase: renovação estética, radicalismo; 2ª fase: temáticas realistas e naturalistas; 3ª fase: inovações linguísticas e experimentações artísticas.

O conhecimento do contexto histórico é de fundamental importância para que a literatura seja compreendida de forma ampla.

Assinale a afirmativa que caracteriza o período da literatura no Brasil pré-modernista.


A

Economia predominantemente dependente do trabalho escravo.


B

Predominância do trabalho rural e escravocrata em uma cultura imperial.


C

O Brasil era um país republicano, mas com muitas questões que envolviam problemas sociais, econômicos e políticos.


D

Influência do Iluminismo, movimento cultural europeu que alterou as bases do pensamento humano nos séculos XVI e XVII.

O caráter regionalista que definiu a ficção da geração de 1930 aparece completamente transformado nas obras de Guimarães Rosa. As marcas regionais são evidentes nos termos utilizados, na recriação da fala dos jagunços e de vaqueiros do interior de Minas. Rosa fala dos grandes dramas humanos, deixando claro que os grandes fantasmas da existência podem ser identificados em qualquer lugar, desde um centro urbano até um minúsculo vilarejo nos sertões das Gerais. (Abaurre; Pontara). Guimarães Rosa faz parte da terceira geração do _____________; uma de suas obras mais relevantes intitula-se ____________________________.


Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.


A

modernismo – Grande Sertão: veredas


B

parnasianismo – O engenheiro


C

modernismo – São Bernardo


D

pré-modernismo – Menino do engenho


E

realismo – Viva o povo brasileiro

O regionalismo, seja em uma perspectiva de descoberta do Brasil ou de denúncia da realidade, é um tema contemporâneo que se apresenta inicialmente no Pré-Modernismo e depois no Modernismo, com escritores como Euclides da Cunha e Graciliano Ramos, respectivamente.


C

Certo


E

Errado

Assinale a alternativa que apresenta corretamente o nome do(a) autor(a) da obra “Peru versus Bolívia”.


A

Graciliano Ramos.


B

Machado de Assis.


C

Euclides da Cunha.


D

Camilo Castelo Branco.


E

José de Alencar.

Assinale a alternativa que apresenta corretamente o nome do(a) autor(a) de “Verão no Aquário”:


A

Ariano Suassuna.


B

Clarice Lispector.


C

Lygia Fagundes Telles.


D

Jorge Amado.


E

Fernando Sabino.

O termo “pré-modernismo” foi criado por Tristão de Ataíde para designar o período cultural brasileiro que se estende do início do século XX até a Semana de Arte Moderna. Sobre esse período, assinale a alternativa correta.


A

Por meio do critério cronológico, são consideradas pré-modernistas não apenas obras inovadoras, como a poesia neoparnasiana e a prosa de Coelho Neto, mas também obras conservadoras e tradicionais, como os romances de Lima Barreto, que, historicamente, se inscrevem no Pré-modernismo, mas são antimodernistas.


B

Por meio do critério estético, é possível considerar pré-modernistas obras inovadoras tanto na temática quanto na forma, configurando um prenúncio da literatura modernista, como é o caso dos contos de Monteiro Lobato e de Lima Barreto.


C

Com autores como Euclides da Cunha, Graça Aranha, Monteiro Lobato e Lima Barreto, o enfoque recai sobre os problemas sociais do país, havendo uma retomada do nacionalismo idealizado e ufanista dos escritores românticos.


D

No que diz respeito ao conteúdo, a prosa ficcional pré-modernista tematiza assuntos novos ou só então considerados, como a imigração alemã no Espírito Santo, nos contos de Lima Barreto, e a miséria do caboclo na zona rural, em Canaã, de Graça Aranha.


E

Na prosa ficcional pré-modernista, uma das temáticas que se sobressai é a análise do sertanejo nordestino, como se observa, por exemplo, no romance Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto.

Analise as afirmativas a seguir:


I. Os conteúdos de ensino são o conjunto de conhecimentos, habilidades, hábitos, modos valorativos e atitudinais de atuação social, organizados pedagógica e didaticamente pelo Estado, tendo em vista a assimilação passiva pelos alunos, sem qualquer objetivo de contribuir para a prática de vida dos educandos.

II. O universo de personagens criado por Lima Barreto está repleto de políticos ineficazes e poderosos, de ignorantes que passam por sábios, de militares incapazes e tirânicos. A esse mundo de privilegiados o escritor opõe as figuras do subúrbio, uma multidão de oprimidos, mostrando sua inspiração e sua revolta contra uma ordem social injusta.


Marque a alternativa CORRETA:


A

As duas afirmativas são verdadeiras.


B

A afirmativa I é verdadeira, e a II é falsa.


C

A afirmativa II é verdadeira, e a I é falsa.


D

As duas afirmativas são falsas.

Leia o texto 'Monteiro Lobato' e, em seguida, analise as afirmativas abaixo:


I. O texto alega que Monteiro Lobato foi um escritor que cultivou um estilo cuidadoso nas suas obras e, ao mesmo tempo, exerceu a crítica a certos hábitos brasileiros, como a nossa submissão ao capitalismo internacional e a cópia de modelos estrangeiros.

II. Jeca Tatu, de acordo com o texto, é um personagem caracterizado por ser um tipo caipira, muito pobre e acomodado. Esse personagem representa uma crítica de Monteiro Lobato ao Brasil escravagista e dependente da exploração de minerais de baixo valor, afirma a autora.

III. A autora do texto em análise afirma claramente que Monteiro Lobato é um autor regionalista do Pré-Modernismo, com produções de destaque nos gêneros fábula e conto.


Marque a alternativa CORRETA:


A

Nenhuma afirmativa está correta.


B

Apenas uma afirmativa está correta.


C

Apenas duas afirmativas estão corretas.


D

Todas as afirmativas estão corretas.

“Os Sertões” são uma das obras mais emblemáticas do escritor pré-modernista Euclides da Cunha. A obra regionalista narra os acontecimentos da sangrenta Guerra de Canudos, liderada por Antônio Conselheiro (1830-1897), que ocorreu no Interior da Bahia, durante 1896 e 1897. Sobre a obra ”Os Sertões” de Euclides da Cunha, é possível afirmar:


I – Está dividida em três partes: A terra, o homem e a luta.

II- A parte destinada ao “Homem” trata de um estudo antropológico e sociológico, donde o homem é determinado pela tríade - meio, raça e história - segundo a teoria determinista do historiador francês Hippolyte Taine.

III-A parte destinada “A Luta “ apresenta uma categoria geográfica que Hegel não citou. Como se faz um deserto. Como se extingue o deserto. O martírio secular da terra.

IV – N a primeira parte da obra, Euclides da Cunha aborda sobre os habitantes do local, o sertanejo e o jagunço, os quais fazem parte dessa paisagem. Sendo assim, nesse primeiro momento, apresenta uma região separada geográfica e temporalmente do resto do país.

V- Na Terceira parte da obra “A luta”, o autor descreve os embates que ocorreram entre o sertanejo e o exército nacional do Brasil. Aborda sobre as quatro expedições realizadas pelo exército nacional, enviados para destruir o Arraial de Canudos, que contava com cerca de 20 mil habitantes.


Está correto o que se afirma em:


A

I, II, IV e V apenas.


B

I, III. IV e V apenas


C

II, III e V apenas


D

II, IV e V apenas


E

I, II, III, IV, V

Leia o texto abaixo:


O triste fim de Lima Barreto


É inevitável a comparação entre Machado de Assis e Lima Barreto. Dois cariocas, descendentes de escravos, mestiços, pinçaram, na mesma cidade e quase ao mesmo tempo, a paisagem, os personagens e os temas de seus romances. Se as semelhanças são grandes, as diferenças são igualmente profundas.

Autodidata, Machado percorreu um caminho ascendente. Dos ofícios humildes exercidos na juventude e na mocidade, alçou-se cultural e socialmente. Não criou apenas uma obra, mas criou-se a si próprio. Já foi dito que o Machado da maturidade, com aquele pincenê hierático, o cavanhaque grisalho, a efígie de selo postal, teria sido a sua maior criação.

Lima percorreu caminho inverso. Teve boa escolaridade, cursou a Politécnica, embora órfão de mãe desde a infância, teve o apoio do pai, que era tipógrafo conceituado, até bem pouco as gráficas usavam um manual francês traduzido por João Henriques Lima Barreto, pai do futuro romancista. (…)

Machado de Assis e Lima Barreto, ao morrerem, receberam um tipo estranho de homenagem.

Aos 41 anos, consumido pelo parati e pela miséria, com o pai louco no quarto ao lado, ele morreu abraçado a uma revista e teve um enterro humilde, acompanhado por bêbados como ele, vagabundos de subúrbio, cheirando a cachaça, os pés descalços. Quis ser enterrado em Botafogo -que ele detestava e criticava. Pouco mais de dez pessoas assistiram a seu sepultamento, entre eles, Félix Pacheco, Olegário e José Mariano -sendo que este pagou as despesas. Nenhuma repercussão nos jornais.

Machado saiu da Academia que ele fundara com Lúcio Mendonça, teve discurso de Ruy Barbosa, que o substituiu na presidência da casa que teria o nome dele. Apesar disso, como dois artistas que eram, receberam ambos a única homenagem que conta, a única que realmente eleva e consola.

Na agonia de Machado, um jovem desconhecido de 15 anos entrou em seu quarto, ajoelhou-se e beijou--lhe a mão. Soube-se depois o nome desse jovem, que se tornou crítico literário e um dos fundadores do Partido Comunista Brasileiro: Astrojildo Pereira.

Com Lima Barreto a homenagem foi diferente. Chovia em Todos os Santos. O velório na sala era interrompido pelo barulho da chuva e, de quando em quando, pelos gritos do pai, que, no quarto ao lado, louco e moribundo, morreria horas depois. Em volta do caixão de terceira, os irmãos e a gente modesta do subúrbio, que Lima conhecia dos botequins e das ruas enlameadas e tristes.

De repente, um homem de seus 50 anos, cuja roupa e cujos modos revelavam que viera de longe, aproximou-se da mesa onde haviam colocado o caixão. Ninguém o conhecia, ninguém procurou saber quem era. Em silêncio, ele descobriu o rosto de Lima Barreto, contemplou-o, curvou-se e beijou-lhe a testa.

Saiu como entrara: em silêncio, sem cumprimentar ninguém. (…)

O triste fim de Lima Barreto ficou mais triste com o beijo de um desconhecido que nem a história nem a família ficaram sabendo quem era. Num registro de seu diário íntimo, Lima desabafara: “”Gosto da morte porque ela nos sagra”. O afilhado de Nossa Senhora da Glória -ele sempre invocava essa condição- morreu sem glória. Pouco a pouco, contudo, em torno de seu nome e de sua obra, vão se aproximando aqueles que, em silêncio, se curvam diante de sua dilacerada herança.


Carlos Heitor Cony – Folha de S. Paulo, 22 de outubro de 1999.


Afonso Henriques de Lima Barreto morreu em 1º de novembro de 1922, no Rio de Janeiro. Portanto, completam-se 100 anos da morte do escritor.


Consoante ao texto acima e aos seus conhecimentos sobre esse autor e sua obra, assinale a alternativa correta.


A

O texto aborda as razões técnicas da construção do romance para mostrar por que Machado era mais reconhecido do que Lima Barreto.


B

O texto é predominantemente uma narrativa na qual o autor compara a morte e a vida de dois grandes personagens da literatura brasileira.


C

No texto, o autor afirma que a comparação entre os dois romancistas é inevitável, uma vez que há entre eles mais semelhanças do que distinções.


D

Lima Barreto tinha como temática central a questão racial, o preconceito, a exclusão. Era negro, morava na periferia e não foi reconhecido como escritor quando era vivo.


E

Os dois autores referidos no texto conviveram na mesma cidade, na mesma época e no mesmo espaço social, em especial, a Academia Brasileira de Letras.

 
 
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