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Maria, 53 anos, encaminha-se à consulta em uma unidade de ESF e se apresenta com fácies apreensivas. Reporta ao médico ser evangélica e acreditar nos propósitos de Deus à nossa saúde. Tem 2 filhos e consegue trazê-los para o acompanhamento na unidade, contudo o seu esposo não a acompanha nos cultos e ultimamente tem bebido em demasia. Na concepção de Maria, ele pode ser castigado e vir a ter uma doença grave. Por conta disso, Maria tem ficado insone, devido à tal preocupação. Ao encontro dessa temática, seguindo a atenção ao binômio Religiosidade/Espiritualidade (R/E), o médico de família e a equipe devem:
levar em conta a preocupação de Maria porque sabe-se que o binômio R/E tem impacto na redução da mortalidade, sendo mais efetivo que o uso de airbags em carros ou o rastreamento de câncer colorretal com exame de sangue oculto nas fezes.
dar atenção à Maria porque as evidências indicam que as pessoas só se preocupam com a espiritualidade em doenças terminais, quando hospitalizadas ou próximas a morte.
concordar com Maria e solicitar exames de sangue com hemograma, colesterol total e frações, provas de função renal e hepática, sorologias HIV e hepatites, glicemia, urina simples e sangue oculto nas fezes, sendo que ela mesma pode trazer os resultados para o médico analisar.
não dar atenção a tais impressões porque evidências indicam que as pessoas não desejam que as equipes de saúde abordem questões religiosas e/ou espirituais nas consultas de rotina.
evitar abordar temas como espiritualidade porque a equipe não tem treinamento no tema, a agenda não comporta tempo para esse tema e geralmente o conhecimento sobre esse assunto não é ministrado na graduação.