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As emergências cirúrgicas abdominais na infância apresentam desafios diagnósticos conforme a faixa etária. Assinale a alternativa que descreve corretamente o quadro clínico e o manejo da Intussuscepção Intestinal em lactentes.
Trata-se de uma anomalia congênita decorrente da persistência do conduto onfalomesentérico, manifestando-se com diverticulite e exigindo obrigatoriamente a realização de cintilografia com tecnécio para confirmação.
A condição ocorre mais frequentemente em recém-nascidos pré-termo nas primeiras 48 horas de vida, manifestando-se com pneumatose intestinal e exigindo ressecção segmentar de urgência devido ao risco de sepse.
O diagnóstico definitivo deve ser realizado por meio de radiografia simples de abdome em ortostase, que revela o sinal do "grão de café", indicando a necessidade imediata de laparotomia com fixação do segmento intestinal.
A tríade clássica composta por dor abdominal paroxística, massa palpável em forma de salsicha e fezes em "geleia de morango" é sugestiva do diagnóstico, sendo o enema pneumático ou hidrostático o tratamento inicial preferencial.
O sinal de Murphy positivo ao exame físico é o principal marcador clínico, associando-se a vômitos biliosos persistentes e exigindo a realização de colecistectomia videolaparoscópica nas primeiras 12 horas.
Em relação às atresias do trato gastrointestinal na infância, considerando diferenças embriológicas, apresentações clínicas e associações, assinale a alternativa correta.
As atresias duodenais e jejunoileais compartilham o mesmo mecanismo embriológico principal, baseado em acidentes vasculares intrauterinos.
A atresia duodenal apresenta maior associação com anomalias congênitas sistêmicas quando comparada às atresias jejunoileais.
A presença de microcólon ao enema opaco é característica típica da atresia duodenal isolada.
As atresias jejunoileais apresentam alta associação com trissomia do cromossomo 21.
As atresias do intestino delgado raramente se associam à má rotação intestinal.
Recém-nascido apresenta estridor inspiratório desde os primeiros dias de vida, exacerbado durante a alimentação e em posição supina. O exame por fibrolaringoscopia demonstra colapso das estruturas supraglóticas durante a inspiração. Não há outras malformações associadas e o ganho ponderal é adequado. Com base nas evidências atuais sobre anomalias congênitas das vias aéreas, a conduta mais apropriada nesse caso é
indicar traqueostomia precoce, devido ao risco de obstrução progressiva da via aérea.
realizar correção cirúrgica imediata por via aberta, independentemente da gravidade clínica.
adotar conduta conservadora, com acompanhamento clínico e tratamento dos fatores agravantes, reservando cirurgia para casos graves.
indicar ressecção das cartilagens supraglóticas como tratamento de primeira linha.
programar correção cirúrgica eletiva após os 6 meses de idade em todos os casos.
Uma criança de 8 anos é submetida à herniorrafia inguinal eletiva, sem intercorrências intraoperatórias, em hospital público. Recebe dose adequada de antibiótico profilático antes da incisão, com ajuste correto ao peso corporal. No pós-operatório imediato, o residente sugere manter antibiótico intravenoso por 48 horas, com o objetivo de reduzir o risco de infecção, apesar de ferida cirúrgica limpa e boa evolução clínica. À luz das evidências atuais e dos princípios de prevenção de infecção em cirurgia pediátrica, qual é a conduta mais adequada?
Manter antibioticoprofilaxia por 48 horas, considerando o risco infeccioso em procedimentos pediátricos.
Manter antibiótico intravenoso até a alta hospitalar, como medida preventiva adicional.
Suspender a antibioticoprofilaxia após o fechamento da incisão, na ausência de sinais de infecção ou contaminação.
Substituir o antibiótico profilático por esquema oral de amplo espectro no pós-operatório.
Prolongar a antibioticoprofilaxia conforme decisão individual da equipe cirúrgica, independentemente de critérios clínicos.
Em relação às anomalias congênitas do fígado e das vias biliares na infância, considerando os conceitos embriológicos atuais e suas repercussões clínicas, assinale a alternativa correta.
A atresia biliar resulta exclusivamente de falha de recanalização dos ductos extra-hepáticos durante o segundo trimestre gestacional.
As malformações da placa ductal estão associadas apenas a doenças císticas hepáticas isoladas, sem acometimento de outros órgãos.
As anomalias congênitas das vias biliares raramente apresentam associação com alterações renais ou síndromes genéticas.
A fibrose hepática congênita cursa tipicamente com insuficiência hepatocelular precoce e icterícia colestática grave ao nascimento
A doença de Caroli caracteriza-se por dilatação sacular dos ductos biliares intra-hepáticos, com comunicação com a árvore biliar.


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Paciente pediátrico com doença grave, irreversível e em fase terminal encontra-se internado sob cuidados da equipe cirúrgica. Os responsáveis legais, após esclarecimento adequado, manifestam desejo de limitar medidas invasivas e priorizar conforto. Um membro da equipe defende a continuidade de procedimentos diagnósticos e terapêuticos sem impacto no prognóstico, alegando obrigação de “fazer tudo o que for possível”. Considerando o Código de Ética Médica, qual conduta é eticamente mais adequada?
Prosseguir com todos os procedimentos disponíveis, independentemente de futilidade terapêutica, para evitar responsabilização profissional.
Respeitar a vontade dos responsáveis legais, evitando procedimentos desnecessários e assegurando cuidados paliativos apropriados.
Submeter a decisão exclusivamente ao Comitê de Ética, suspendendo qualquer conduta até manifestação formal.
Manter procedimentos diagnósticos e terapêuticos, pois a suspensão caracteriza abreviação da vida.
Transferir integralmente a decisão à família, sem oferecer orientação ou recomendação médica.
Em relação à hidrocefalia na infância, considerando os conceitos atuais de fisiopatologia, diagnóstico e indicação cirúrgica, assinale a alternativa correta.
O diagnóstico de hidrocefalia deve integrar achados clínicos de hipertensão intracraniana e evidências radiológicas de dilatação ventricular.
A hidrocefalia comunicante resulta exclusivamente de obstrução mecânica do fluxo do líquido cefalorraquidiano nos ventrículos.
A presença isolada de ventriculomegalia à neuroimagem define hidrocefalia e indica tratamento cirúrgico imediato.
A endoscopia ventricular está indicada apenas em pacientes com hidrocefalia associada à mielomeningocele.
A hidrocefalia em recém-nascidos cursa, na maioria dos casos, com sinais precoces de cefaleia intensa e papiledema.
No contexto da cirurgia pediátrica, os cuidados paliativos devem ser compreendidos como parte integrante do cuidado global à criança com doença grave. Considerando os princípios atuais dessa abordagem, assinale a alternativa correta.
Os cuidados paliativos devem ser iniciados apenas quando não houver possibilidade de tratamento curativo.
A abordagem paliativa é incompatível com intervenções cirúrgicas invasivas.
Os cuidados paliativos podem ser oferecidos de forma concomitante ao tratamento cirúrgico, com foco em qualidade de vida e alívio de sintomas.
A atuação da equipe de cuidados paliativos limita a autonomia do cirurgião na tomada de decisões terapêuticas.
A abordagem paliativa restringe-se ao controle da dor na fase final da vida.
O suporte nutricional em crianças, tanto enteral quanto parenteral, é essencial para garantir crescimento, recuperação pós-operatória e manejo de doenças crônicas ou agudas. Considerando esse contexto, analise as afirmativas a seguir.
I.Sempre que o trato gastrointestinal estiver funcional, a nutrição enteral deve ser priorizada em relação à parenteral, pois preserva a integridade da mucosa intestinal e reduz risco de complicações infecciosas.
II.A nutrição parenteral é indicada quando há intolerância digestiva, obstrução intestinal ou após cirurgias extensas que impossibilitam aporte enteral adequado.
III.O monitoramento contínuo de eletrólitos, glicemia, parâmetros hepáticos e balanço hídrico é fundamental durante nutrição enteral ou parenteral para prevenir complicações metabólicas.
Assinale a alternativa que apresenta somente as proposições CORRETAS.
I, II e III.
I e II.
I e III.
II.
As afecções congênitas e adquiridas da genitália externa e interna em crianças abrangem desde malformações do desenvolvimento sexual até infecções e traumatismos, exigindo avaliação clínica cuidadosa. Sobre esse assunto, analise as afirmativas a seguir.
I.Hipospádia é a malformação congênita mais comum do pênis, caracterizada pelo posicionamento anômalo da uretra distal à sua posição normal e frequentemente associada a curvatura ventral.
II.A fimose fisiológica é comum em lactentes e, na maioria dos casos, requer tratamento cirúrgico imediato após o nascimento.
III.Infecções do trato urinário baixo podem causar alterações inflamatórias na genitália externa e devem ser investigadas, especialmente em meninas com vulvovaginite recorrente.
Assinale a alternativa que apresenta somente as proposições CORRETAS.
II.
I.
I e III.
I, II e III.


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Acidentes, intoxicações exógenas, politraumatismos, queimaduras e aspiração de corpos estranhos representam as principais emergências pediátricas externas, podendo levar a complicações graves se não manejadas de forma rápida e adequada. O cirurgião pediátrico deve reconhecer sinais de alerta, priorizar vias aéreas, suporte hemodinâmico e encaminhamento apropriado. Sobre este assunto, avalie as afirmativas abaixo e assinale a verdadeira.
Em casos de ingestão de substâncias tóxicas, induzir o vômito imediatamente é a conduta de escolha para reduzir a absorção do agente.
Aspiração de corpos estranhos raramente provoca sintomas em lactentes, sendo geralmente um achado incidental em exames de imagem.
Crianças pequenas têm maior risco de descompensação rápida em politraumatismos devido à maior relação superfície corporal/peso, maior complacência torácica e menor volume sanguíneo absoluto.
Queimaduras em crianças não exigem reposição hídrica imediata, pois a desidratação é incomum.
A respeito da resposta endócrino-metabólica ao trauma em crianças, que apresenta características próprias quando comparada à em adultos, assinale a alternativa correta.
Crianças apresentam menor turnover proteico que adultos durante o trauma, devido ao maior percentual de massa magra.
A gliconeogênese tende a ser facilmente suprimida pela oferta de glicose intravenosa, reduzindo a proteólise.
O pico de interleucina-6 (IL-6) ocorre tardiamente (após 48h) e não se correlaciona com gravidade.
Catecolaminas e cortisol aumentam rapidamente após o trauma, contribuindo para hiperglicemia e catabolismo proteico.
O gasto energético de repouso (GER) permanece persistentemente baixo nas primeiras 24 horas após trauma significativo.
Uma criança de 6 anos é submetida, em hospital público, à apendicectomia por apendicite complicada. No pós-operatório imediato, ocorre troca de plantão da equipe cirúrgica e transferência do paciente da sala de recuperação para a enfermaria pediátrica. Os pais relatam insegurança por receberem informações divergentes de diferentes profissionais sobre dieta, analgesia e previsão de alta. Considerando os princípios de segurança do paciente e humanização da assistência cirúrgica infantil, qual conduta é a mais adequada para reduzir riscos assistenciais nesse contexto?
Centralizar a comunicação apenas no cirurgião responsável, restringindo a participação de outros membros da equipe.
Permitir que cada profissional forneça orientações de forma independente, conforme sua experiência individual.
Evitar a participação dos familiares durante os momentos de transição de cuidado, para reduzir interferências no fluxo assistencial.
Orientar os familiares a esclarecer dúvidas exclusivamente durante a visita médica diária.
Implementar transferência de cuidado estruturada entre as equipes, com alinhamento multiprofissional das condutas e comunicação clara e consistente com os familiares.
Lactente de 9 meses é levado à emergência com história de episódios intermitentes de choro intenso, palidez súbita e vômitos. A mãe relata fezes com muco e estrias de sangue. Ao exame físico, o paciente encontra-se hemodinamicamente estável, sem sinais de peritonite. Ultrassonografia abdominal evidencia imagem em “alvo” compatível com invaginação ileocólica. Diante desse cenário, qual é a conduta inicial mais adequada?
Laparotomia imediata para redução manual da invaginação.
Antibioticoterapia profilática seguida de observação clínica.
Administração de laxativos para facilitar a redução espontânea.
Apendicectomia laparoscópica devido à sobreposição clínica com apendicite.
Redução não cirúrgica guiada por imagem, após adequada ressuscitação volêmica.
Recém-nascido com malformação congênita grave e prognóstico reservado evolui com complicações clínicas progressivas. A equipe cirúrgica identifica uma intervenção tecnicamente possível, porém de alto risco, com benefício incerto em termos de sobrevida e impacto relevante na qualidade de vida. A família demonstra ambivalência, alternando esperança de prolongamento da vida e preocupação com sofrimento. Considerando os princípios dos cuidados paliativos no contexto cirúrgico, assinale a alternativa correta quanto à abordagem mais adequada diante desse caso.
Indicar a cirurgia imediatamente, priorizando a possibilidade de prolongar a vida, apesar das incertezas prognósticas.
Evitar qualquer intervenção cirúrgica e focar exclusivamente em medidas de conforto.
Postergar indefinidamente a decisão cirúrgica até que a família manifeste preferência inequívoca.
Transferir integralmente a decisão à família, sem oferecer recomendações médicas.
Promover discussão estruturada com a família, explorando valores, objetivos de cuidado e cenários possíveis, com apoio da equipe de cuidados paliativos.


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No trauma pediátrico, o reconhecimento precoce do choque hemorrágico pode ser desafiador. Considerando os conceitos atuais de avaliação hemodinâmica e ressuscitação inicial em crianças, assinale a alternativa correta.
A hipotensão é um sinal precoce e sensível de choque hemorrágico em crianças e deve guiar a decisão inicial de transfusão.
A pressão arterial isolada é um indicador confiável de perfusão tecidual na fase inicial do choque hemorrágico pediátrico.
Em crianças, sinais precoces de choque podem ocorrer antes de queda da pressão arterial, exigindo atenção a parâmetros clínicos e resposta fisiológica.
A ressuscitação com cristaloides em grandes volumes é recomendada para estabilização inicial, antes de considerar hemocomponentes.
A ressuscitação hemostática não tem papel definido em pediatria, pois as condutas são substancialmente diferentes das aplicadas em adultos.
Considerando uma criança submetida a cirurgia de esôfago, é CORRETO afirmar que a estratégia nutricional adequada é:
Exclusiva nutrição parenteral prolongada, sem considerar via enteral.
Restrição alimentar absoluta até cicatrização completa.
Nutrição enteral precoce por via jejunal, assegurando integridade da mucosa intestinal e reduzindo complicações infecciosas.
Administração de dieta oral imediata, sem considerar risco de fístula.
Substituição da nutrição por hidratação venosa isolada.
Criança de 12 anos apresenta dor abdominal intensa, aumento de amilase e imagem compatível com pseudocisto pancreático. Nesse caso, a conduta CORRETA deve ser:
Observação clínica indefinida, sem exames complementares.
Exclusiva analgesia, sem intervenção cirúrgica.
Ressecção pancreática imediata, sem considerar alternativas menos invasivas.
Drenagem interna ou externa do pseudocisto, conforme localização e sintomas, após estabilização clínica e exclusão de complicações.
Alta hospitalar precoce, sem acompanhamento.
Considerando que a educação permanente em serviços de cirurgia pediátrica é essencial para atualização científica e segurança assistencial, assinale CORRETAMENTE o princípio que norteia sua aplicação:
Limitar educação apenas a treinamentos pontuais, sem continuidade ou avaliação.
Delegar capacitação exclusivamente a residentes, sem supervisão de especialistas.
Substituir programas formais por observação espontânea de procedimentos.
Estruturação de programas contínuos de capacitação, integrando teoria, prática, simulações clínicas e avaliação periódica, assegurando competência técnica e qualidade assistencial.
Evitar avaliação de desempenho para não comprometer relações interpessoais.
Uma criança de 6 anos, no terceiro dia de pós-operatório de correção de malformação abdominal, apresenta febre persistente, taquicardia, hipotensão refratária e sinais de hipoperfusão periférica. Os exames laboratoriais mostram acidose metabólica e elevação de lactato sérico. Segundo os princípios de manejo do choque séptico em pediatria, a conduta que representa a abordagem CORRETAMENTE adequada é:
Optar por observação clínica inicial sem intervenção imediata, aguardando evolução espontânea, para evitar sobrecarga terapêutica em paciente instável.
Instituir restrição hídrica absoluta como medida preventiva contra edema, mesmo diante de hipoperfusão e acidose metabólica, sem reposição volêmica ou suporte hemodinâmico.
Direcionar conduta exclusivamente para analgesia opioide, priorizando controle sintomático da dor, sem medidas antimicrobianas ou suporte intensivo.
Iniciar reposição volêmica precoce com cristaloides, associar antibioticoterapia de amplo espectro após coleta de culturas, introduzir suporte vasoativo em caso de refratariedade hemodinâmica e manter monitoramento intensivo multiparamétrico, prevenindo evolução para falência de múltiplos órgãos.
Transferir o paciente para cuidados ambulatoriais, priorizando redução de custos e tempo de internação, mesmo diante de instabilidade clínica grave e risco iminente de falência orgânica.


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