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Os museus desempenham um papel importante na preservação e na valorização da memória da comunidade negra no Brasil. Em relação ao tratamento da escravidão e da cultura afro-brasileira nos museus, qual prática é considerada alinhada aos princípios éticos e inclusivos da museologia contemporânea?
A promoção de exposições temáticas que abordem a cultura afro-brasileira e a escravidão como partes isoladas do contexto social brasileiro.
Representar o legado africano e afro-brasileiro de forma multifacetada, destacando as resistências, as culturas e as contribuições sociais e políticas da população negra.
Limitar-se a exibir objetos históricos, sem contextualização social ou reflexão crítica sobre os impactos contemporâneos da escravidão.
Excluir debates sobre o racismo estrutural no Brasil, uma vez que os museus são espaços exclusivamente de preservação patrimonial.
Priorizar narrativas eurocêntricas para garantir a objetividade histórica dos eventos relacionados à escravidão.
A Museologia é definida como área do conhecimento que se dedica ao estudo dos museus em seu aspecto teórico. A área das Ciências Sociais Aplicadas se debruça sobre a relação existente entre o sujeito e o mundo real em determinado espaço. No que se refere à área enquanto ciência assinale a alternativa correta:
A museologia é a ciência que estuda, preserva, difunde e pesquisa o museu enquanto fenômeno artístico.
Segundo o teórico George Henri Rivière, a área do conhecimento pode ser definida como “uma ciência aplicada, a ciência do museu.” Ela o estuda em sua história e no seu papel na sociedade, nas suas formas específicas de pesquisa e de conservação física, de apresentação, de animação e de difusão, de organização e de funcionamento, de arquitetura nova ou musealizada, nos sítios herdados ou escolhidos, na tipologia, na deontologia”. (Rivière, 1981).
A Nova Museologia é uma corrente que afirma que os museus são espaços de conhecimento que se dedicam a arquivar documentos, objetos de arte e artefatos de épocas passadas.
A tipologia de Museu Tradicional Ortodoxo é aquela onde o circuito expositivo segue um roteiro definido e o patrimônio imaterial é valorizado.
O Ashmolean Museum of Art and Archaeology é considerado o terceiro museu a ser fundado no mundo. Localizado na cidade de Oxford, na Inglaterra, foi fundado por Elias Ashmole, no século XVII, com artefatos de sua coleção particular de curiosidades.
A Nova Museologia, surgida nas décadas de 1970 e 1980, com base na Carta de Santiago, de 1972 e trouxe mudanças significativas para a prática museológica contemporânea. Qual das características abaixo NÃO é associada à teoria museológica defendida pela Nova Museologia?
A ampliação do conceito de patrimônio, incluindo elementos imateriais e práticas culturais locais.
A descentralização da autoridade do museu, valorizando os saberes e as narrativas das comunidades.
A neutralidade política e social do museu, concentrando sua atuação a funções técnicas e de preservação.
A busca por uma abordagem interdisciplinar, envolvendo diferentes áreas do conhecimento no estudo e na gestão do patrimônio.
Essa abordagem defende o papel do museu como agente transformador da sociedade, integrando a comunidade e promovendo ações participativas.
A respeito do universo dos museus, é correto afirmar que:
São considerados museus todos os centros culturais, zoológicos, arquivos, bibliotecas e cinemas.
Os museus que abrigam pinturas, isto é, obras de arte pictórica são chamados de Pinacoteca.
O Museu Nacional, localizado no Rio de Janeiro é uma instituição museológica pública, vinculada ao Ministério da Cultura.
Os museus são espaços que promovem a cultura. Por esse motivo, só recebem pessoas que possuem nível superior.
Inhotim é um museu de arte de caráter público, que expõe, pesquisa e divulga a arte contemporânea brasileira e estrangeira.
A origem dos museus está intimamente ligada à Grécia Antiga e ao termo “Mouseion”. Esse local era visto como um oásis das artes e do conhecimento. As musas eram chamadas assim por serem filhas de Zeus e Mnemósine, a personificação da memória.
Assinale, entre as alternativas abaixo, a que melhor representa o termo “Mouseion”:
O termo está diretamente atrelado aos museus comunitários. Essa tipologia de museus teve sua origem na Grécia Antiga e estava associada ao desenvolvimento do ser humano e do entorno onde ele vive.
O significado do termo “Mouseion” está associado à morada das musas. Esse local sagrado era considerado o berço do conhecimento humano, das artes e da filosofia. Segundo a mitologia, as musas eram nove filhas concebidas pela união de Zeus e Mnemósine, a deusa da memória.
O conceito da palavra está associado à teoria museológica e, sobretudo, à vertente da chamada Nova Museologia.
O termo denota o entendimento de que o museu é uma instituição política, ou seja, um campo de disputas onde narrativas são criadas com o objetivo de provocar reflexões no público visitante.
O termo está associado ao conceito de museu virtual, isto é, aquela instituição que é considerada um repositório do patrimônio imaterial. Por esse motivo, essa instituição não possui sede física.
Durante o século XVI por toda Europa Ocidental diversas coleções de objetos científicos, históricos, de cunho artístico e arqueológico foram formadas a partir da reunião de artefatos reunidos por colecionadores nas chamadas viagens exploratórias que buscavam a conquista de novos territórios. Entre as alternativas abaixo, assinale a única que NÃO representa esse fenômeno:
Representa a gênese dos museus modernos. Dentro de tal perspectiva tais espaços eram chamados em sua episteme de gabinetes de curiosidades.
O termo alemão “wunderkammer” está associado a esse período da História.
Os primeiros gabinetes de curiosidades eram também conhecidos como quarto ou câmara das maravilhas.
Em terras brasileiras, o exemplo mais antigo de um modelo de gabinete de curiosidades está em Recife. O explorador e colecionador Maurício de Nassau foi responsável por reunir na cidade de Olinda uma coleção de artefatos e testemunhos materiais provenientes de suas viagens exploratórias.
Os gabinetes de curiosidades surgem durante a Revolução Francesa. O espírito progressista que pregava o fim do absolutismo culminou na formação desses espaços.
A Museologia, enquanto o estudo da finalidade e organização dos museus, e popularmente interpretada como sendo a ciência dos museus possui o holandês Peter Van Mensch como um de seus grandes teóricos.
Leia o trecho abaixo, escrito por Mensch:
[...] a museologia é um ramo do conhecimento que diz respeito aos objetivos e à organização de museus. Em 1972, o ICOM elaborou uma definição mais detalhada, na qual conceituava a museologia como o estudo da história e trajetória dos museus, seu papel na sociedade, seus métodos específicos de pesquisa, conservação, educação e organização, seu relacionamento com o ambiente físico e a classificação dos diferentes tipos de museus (MENSCH, 1994, p. 4).
Após o que foi mencionado, assinale a alternativa correta:
Waldisa Rússio, considerada um grande ícone da museóloga nacional, é original do Rio de Janeiro e teve sua carreira desenvolvida em São Paulo.
Um museu é uma instituição permanente, sem fins lucrativos e ao serviço da sociedade. Os museus pesquisam, colecionam, conservam, interpretam e exibem o patrimônio material.
Museus são “lugares onde as coisas e os valores que se ligam a elas são salvaguardados e estudados, bem como comunicados enquanto signos para interpretar fatos ausentes. (SCHARER, 2007).
Os museus têm como objetivo promover o acesso à cultura, fomentar a educação e estimular a apreciação de diferentes aspectos do patrimônio natural.
Os museus têm sua gênese na França, durante a Revolução Francesa.
O Conselho Internacional de Museus - ICOM aprovou em 2022 uma nova definição de museu, que incorpora termos e conceitos relacionados a desafios contemporâneos. Tais termos e conceitos são
sustentabilidade, diversidade, comunidade e inclusão.
sustentabilidade, pacifismo, comunidade e inclusão.
solidariedade, diversidade, comunidade e participação.
sustentabilidade, diversidade, educação e participação.
solidariedade, pacifismo, direitos humanos e inclusão.
A trajetória dos museus, desde os primórdios do colecionismo até a contemporaneidade, revela uma intrincada relação com o poder e a construção de narrativas históricas. As primeiras instituições museológicas, muitas vezes ligadas à nobreza e ao clero, funcionavam como:
Repositórios de objetos exóticos e curiosidades, com o intuito de demonstrar a superioridade cultural e o poderio econômico de seus detentores.
Espaços de democratização do conhecimento, abertos à participação pública e à construção coletiva da memória.
Centros de pesquisa científica, dedicados à produção de conhecimento objetivo e imparcial sobre o mundo natural e social.
Agências de propaganda política, voltadas para a exaltação dos feitos dos governantes e a legitimação de seus regimes.
A pesquisa educacional nos museus, especialmente a partir da década de 1980, foi muito influenciada pelas teorias educacionais em vigor. De maneira geral, essas teorias afirmam:
As teorias cognitivistas que enfatizam o papel ativo do indivíduo na construção de seu próprio aprendizado não fornecem pistas para compreensão da aprendizagem que ocorre nos museus.
A aprendizagem é um processo estável e unidirecional que, em situações específicas e controladas pelo mediador, promove interação entre o indivíduo e o ambiente.
A elaboração das exposições está relacionada diretamente com o conceito de público, favorecendo processos comunicativos e educacionais centrados no conhecimento dos especialistas.
A educação e a comunicação nos museus devem ser entendidas a partir de modelos de déficit, por meio do qual o visitante entra em contato com o conhecimento verdadeiro produzido pelos especialistas e pesquisadores.
A aprendizagem em museus é um processo eminentemente cultural em que o visitante cria e produz sentidos na relação com os objetos e com outros visitantes.
A Mesa-Redonda de Santiago realizada em 1972 no Chile é um marco fundamental que incide sobre o papel dos museus na América Latina. Sobre este evento é correto afirmar:
Delineou um papel decisivo para Educação Museal a partir das ideias atribuídas ao educador Paulo Freire, em especial aquelas presentes no seu discurso de abertura do evento.
Trouxe à tona o novo conceito de “museu total”, proposto por Jorge Wagensberg, que repercutiu em toda a América Latina e proporcionou à comunidade uma visão de conjunto de seu meio material e cultural.
Mesmo considerando o autoritarismo e as políticas antidemocráticas que assolavam a América Latina na época, o debate, as concepções de educação e as orientações políticas assumidas foram fundamentais para a proposição do conceito de “museu integral”.
De acordo com o depoimento de Hugues de Varine-Bohan, então presidente do ICOM, o encontro teve um caráter antidemocrático considerando a onda militarista que se instalara naquele momento político em governos da América Latina.
Seus frutos, especialmente aqueles relacionados ao pensamento de Paulo Freire para o movimento de renovação da Museologia, só foi percebido no século XXI, tendo este educador falecido sem o devido reconhecimento da comunidade museológica até os dias atuais.
Sobre as diretrizes e definições provenientes da Mesa Redonda de Santiago do Chile – 1972, analisar os itens a seguir:
I. Os museus devem tornar suas coleções o mais acessível possível às instituições religiosas.
II. Os museus devem tornar suas coleções o mais acessível possível às instituições privadas.
III. A Associação Latino Americana de Museologia (ALAM) tem como um de seus objetivos constituir um instrumento de comunicação entre os museus e os museólogos latino americanos.
Está(ã) Correto(s):
Somente o item I.
Somente o item II.
Somente os itens I e II.
Somente os itens II e III.
Todos os itens.
No ano de 2022, a Mesa Redonda de Santiago do Chile, ocorrida de 20 a 31 de maio de 1972, completou 50 anos. Esse encontro é um importante marco na Museologia Latino Americana, pois propôs que os museus deveriam passar a ser percebidos como uma instituição a serviço da sociedade.
Assinale a alternativa que apresenta o conceito de museu trazido pela Declaração de Santiago do Chile.
Museu nacional.
Museu de território.
Museu de cidade.
Ecomuseu.
Museu integral.
A musealização, enquanto processo de atribuição de valor e significado a objetos e práticas culturais, envolve uma série de etapas e procedimentos que:
Priorizam a conservação e restauração de objetos, visando a sua preservação física e a manutenção da sua integridade material.
Enfatizam a pesquisa e a documentação do acervo, buscando contextualizar os objetos e as práticas culturais em seus contextos históricos e sociais.
Privilegiam a comunicação e a educação, visando a difusão do conhecimento sobre o acervo e a promoção da participação do público.
Integram diferentes áreas do conhecimento, como história, antropologia, sociologia e arte, para uma compreensão mais ampla e complexa do patrimônio cultural.
As ações educativas pensadas e implementadas no espaço museal emergiram como atividade de um setor educativo institucionalizado no Brasil em 1927, com o surgimento do então Serviço de Assistência ao Ensino do Museu Nacional (SAE). Sobre a criação da SAE, é correto afirmar:
Foi criado por Roquete Pinto com a missão de auxiliar o desenvolvimento de práticas educativas que colaborassem com o aprendizado e com o currículo escolar.
Favoreceu a compreensão da educação museal como uma modalidade de ensino formal, que pode ser usado como ferramenta didática funcionando como uma espécie de extensão do espaço da escola.
Possibilitou o reconhecimento da educação museal, mesmo considerando que a função educativa possui um nível menor de importância se comparada com a conservação e a investigação no museu.
Apesar de esforços de Roquete Pinto na sua criação, esse serviço ficou inativo por anos e não houve investimento institucional, nem realização de práticas educativas dignas de notas.
Possibilitou o desenvolvimento de programas, projetos e ações educativas no país, o que reforça a ideia de que, desde o início do século XIX, ocorriam no Brasil práticas estruturadas no campo da educação museal.
A função educativa dos museus foi amplamente discutida no “Seminário Regional da Unesco”, em 1958, na cidade do Rio de Janeiro, o que já denotava uma preocupação profissional com a problemática educacional dos museus [...] Nesse Seminário, segundo Toral (1995, p. 9), “o museu deveria desenclausurar-se não somente através de programas didáticos dirigidos à educação formal, como também da utilização de outros meios a seu alcance como o rádio, o cinema, a televisão, para atingir, assim, camadas mais amplas da população e poder melhor difundir sua mensagem”.
(CRESPO TORAL, Hernan, 1995.)
Ao longo do tempo, os museus têm sido vistos como locais de preservação do patrimônio cultural e da memória, sendo que esse papel é claro e inequívoco. Em relação ao seu viés educativo, os museus:
Precisam ser, acima de tudo, um local onde as concepções de cultura e de ideologias sejam preconizadas, tendo em vista o modelo vigente.
Carecem de metodologias mais efetivas que possam consubstanciar a tradição elitista com uma certa acessibilidade do público minoritário.
Necessitam desenvolver relações dialéticas e dialógicas entre público e museu, propiciando a construção da cidadania e favorecendo o conhecimento.
Devem ser prioritariamente apreciados pela elite intelectual instruída e preparada para essa atividade, já que esta já é sensibilizada para a sua fruição.
A respeito das definições e conceitos relacionados aos museus, marcar C para as afirmativas Certas, E para as Erradas e, após, assinalar a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
(_) Etimologicamente, a museologia relaciona-se ao estudo do museu.
(_) O termo “museu” tanto pode designar a instituição quanto o estabelecimento, ou o lugar comumente concebido para fazer a seleção, o estudo e a apresentação de testemunhos materiais e imateriais do homem e do seu meio.
(_) Nos museus, a pesquisa compõe o conjunto de atividades intelectuais e de trabalhos que visam a descoberta, a invenção e o progresso de conhecimentos novos ligados às coleções das quais ele se encarrega ou às suas atividades.
C – C – C.
C – E – E.
E – C – C.
E – E – C.
C – E – C.
Os museus, desde sua matriz moderna desenvolvida entre fins dos séculos XVIII e começo do XIX, foram concebidos como instituições públicas voltadas à execução de um papel social. Historicamente, o entendimento sobre qual deveria ser o papel social a ser desempenhando pelos museus sofreu alterações, a partir de diversos projetos políticos e institucionais, e das próprias discussões que se deram no âmbito da Museologia. Assim, se os museus do século XIX europeu eram concebidos como um recurso educacional (ou disciplinatório) para as massas, esse papel foi adquirindo nuanças e alterando-se no decorrer do século XX.
(AIDAR, Gabriela, 2001.)
Um momento de ruptura deu-se com o desenvolvimento da Nova Museologia, a partir de 1960. Essa vertente, entre outros fatores:
Vê os museus como marcos de passagem para os indivíduos, de uma classe social a outra através da cultura e da intimidade com o conhecimento mais apurado e científico.
Apresenta a arte museológica como a grande responsável por delinear as continuidades e rupturas que possam ser estabelecidas em relação à historicidade do papel social de cada um.
Assume para os museus a responsabilidade mor de inserir os indivíduos no seu grupo social, distinguindo-se e sobrepujando as desigualdades sociais através do domínio do conhecimento.
Passa a entender o museu como um instrumento provocador de mudanças e desenvolvimento social, propondo sua organização e atividades baseadas nos problemas e demandas da sociedade, e não só em suas coleções.
A conceituação moderna ou atual de museu como uma instituição de uso público, surge em:
No Renascimento, resultado do espírito científico, e com a expansão marítima, onde o hábito de colecionar tornou-se facilitado.
Nas ideias da Semana de Arte Moderna de 1922 que objetivava a criação de uma identidade nacional brasileira.
Durante a Revolução Francesa, no final do século XVIII, com a formação dos Estados nacionais.
Estudiosos reunião objetos e outras exoticidades, nos chamados Gabinetes de curiosidade, durante o século XVII.
O Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), instituição que funcionou até ser transformada no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), priorizava, em seus tombamentos, a arte colonial brasileira e a arquitetura religiosa.
Certo
Errado