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No campo da epidemiologia nutricional, o nutricionista atua na análise da relação entre padrões alimentares, estado nutricional e desfechos em saúde, subsidiando a formulação, o monitoramento e a avaliação de políticas públicas de alimentação e nutrição. Leia com atenção sobre o contexto apresentado a seguir: um município brasileiro de médio porte identificou, por meio de inquérito populacional, aumento simultâneo da prevalência de obesidade em adultos, anemia ferropriva em gestantes e consumo elevado de alimentos ultraprocessados. A gestão municipal solicita apoio técnico do nutricionista para interpretar os achados e propor estratégias baseadas em evidências epidemiológicas.
À luz dos princípios e métodos da epidemiologia nutricional e da situação descrita, assinale a alternativa INCORRETA.
Estudos transversais permitem estimar a prevalência de obesidade e anemia na população estudada, porém não são adequados para estabelecer relação temporal ou causal entre consumo de ultraprocessados e os agravos nutricionais identificados.
O aumento concomitante de obesidade e deficiência de micronutrientes caracteriza a dupla carga de má nutrição, fenômeno compatível com o atual estágio de transição nutricional observado em diversos municípios brasileiros.
A utilização de recordatório alimentar de 24 horas, quando aplicado em múltiplos dias não consecutivos e ajustado por variabilidade intrapessoal, é método válido para estimar o consumo habitual de nutrientes em estudos populacionais.
A associação entre consumo elevado de alimentos ultraprocessados e obesidade pode ser avaliada por meio de estudos ecológicos, os quais permitem inferência causal individual, desde que utilizem grandes bases populacionais.
A interpretação epidemiológica dos dados nutricionais deve considerar determinantes sociais da saúde, padrões culturais e fatores ambientais, uma vez que os agravos nutricionais apresentam distribuição desigual segundo condições socioeconômicas.