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Um aluno do ensino médio teve acesso, na biblioteca de sua escola, ao livro “A Reprodução”, de Pierre Bourdieu e Jean Claude Passeron. Depois de ler o livro, ele começou a dizer a todos que tinha sofrido violência simbólica em seu processo de escolarização, pois a escola lhe:
impôs um determinado arbitrário cultural como o único legítimo, deslegitimando outros e dissimulando as relações de força existentes nesse processo;
permitiu passar por situações de constrangimento nas ações pedagógicas nela realizadas, ao expor publicamente seu fracasso em diversas disciplinas;
permitiu vivenciar um processo de socialização marcado pelo bullying, quando foi violentamente humilhado pelos colegas em função de suas convicções;
inculcou determinados elementos simbólicos que iam de encontro àquilo visto como socialmente relevante e pertinente para sua inserção social;
negou, na prática, o acesso a elementos simbólicos fundamentais para sua inserção social e para a reprodução do processo de cidadania.